O Grupo de Pesquisa Intelectuais Negras da UFRJ irá lançar no próximo dia 29 de julho, durante a Festa Literária de Paraty, a publicação “Intelectuais Negras Visíveis – Você pode substituir mulheres negras como objeto de estudo por mulheres negras contando a sua própria história”, que apresentará uma lista de 120 profissionais, entre elas pesquisadoras, escritoras e especialistas em diversos temas e áreas de atuação.

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Organizado por Giovana Xavier, professora de licenciatura em História e integrante do grupo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e projeto gráfico de Maria Julia Ferreira, em parceria com a Editora Malê, o livro estará disponível para download gratuito no site do grupo de pesquisa, lançado na última terça-feira (18), na Casa das Pretas, no Rio de Janeiro.

Giovana Xavier e gestoras da Casas das Pretas, no lançamento do site Intelectuais Negras.

Giovana Xavier e gestoras da Casas das Pretas, no lançamento do site Intelectuais Negras (Créditos: Arquivo pessoal).

Segundo Giovana, que ministra a disciplina “Intelectuais Negras” na graduação da UFRJ, o grupo de pesquisa surgiu em 2014 a partir da necessidade de professoras e estudantes negras discutirem textos de acadêmicas negras na universidade.

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Para além das reuniões de grupo, elas passaram também a fazer oficinas pedagógicas, formações sobre a aplicação da Lei 10.639/03 (Ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira) e participação em eventos acadêmicos. Em 2016, se oficializaram como um grupo de pesquisa da UFRJ cadastrado no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico). “É importante disputar outro sentido de universidade. Estar na academia como um lugar de ativismo. O projeto político tem que estar em nossas mãos, é um trabalho no Rio em contato com a comunidade negra do mundo todo”, afirma.

Giovana explica que um dos princípios políticos das integrantes do grupo, e que norteiam suas atividades, é compreender que todas as mulheres, e não apenas as acadêmicas, são intelectuais em seus saberes comuns.

“Entendemos que não há hierarquia entre os saberes da escola, da academia e do movimento social. Todas as mulheres negras são intelectuais em seus afazeres cotidianos, que não deve ser restrito à cultura escrita. A ordem que uma mulher escolhe para limpar os cômodos da casa é um saber importante. Nós do grupo somos, muitas vezes, as primeiras que tivemos acesso à universidade, a um diploma, mas reconhecemos o trabalho das mulheres que tornaram possível chegarmos aqui”.

O trabalho de organização e pesquisa do grupo Intelectuais Negras para a compilação do catálogo não foi remunerado, mas as pesquisadoras tiveram alguns apoiadores financeiros para a publicação: Djamila Ribeiro, Flávia Oliveira, Márcia Alves e Lázaro Ramos.

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Além do lançamento na Flip, estão previstos mais oito lançamentos em todas as regiões do país, incluindo São Paulo. No ano passado, o grupo realizou uma intervenção na festa literária com a campanha “Vista nossa palavra”, para divulgar o nome de autoras negras na literatura, e retornarão para o lançamento do catálogo, que acontecerá no sábado, 29 de julho, às 16h, na Casa Amado Saramago.

“Lançar na Flip tem um peso político por ser um evento de referência na área de literatura no país, mas nosso catálogo não se restringe à literatura. É importante conferir visibilidade em um espaço onde não é esperado que a gente esteja”, explica Giovana, que também comenta a expectativa em relação à importância da publicação. “Com o catálogo não será mais possível usar a desculpa para não ter mulheres negras em eventos alegando que não conhecia nenhuma em determinada área. Não é apenas uma resposta a uma denúncia, estamos sendo propositivas”.

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Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.

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