por Jéssica Moreira e Semayat Oliveira

O 29 de maio foi marcado por atos em todo o país. Desde o período da manhã, milhares de pessoas ocuparam as ruas de diferentes cidades. As principais reivindicações são o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a aceleração da vacinação contra a Covid-19 e a necessidade de um Auxílio Emergencial de no mínimo R$ 600 até o final da crise sanitária.

Outra chave importante é o combate ao genocídio, que se relaciona tanto às mais de 460 mil mortes causadas pelo coronavírus quanto aos assassinatos de jovens e crianças negras em decorrência do racismo, como aconteceu na chacina de Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, a concentração aconteceu na Avenida Paulista. O ponto de encontro foi o MASP, mas os manifestantes caminharam e desceram a Av. da Consolação. Em entrevista ao Nós, mulheres da periferia, a vereadora Elaine Mineiro, integrante do mandato coletivo Quilombo Periférico, disse que, mesmo durante a pandemia, estar na rua é necessário.

“Infelizmente, temos um governo genocida no país e a gente precisa estar na rua para demonstrar que esse governo não dá mais. As pessoas já cansaram e todos os limites já foram ultrapassados por esse governo”, afirma.

“Primeiro é muito triste, né? A gente ter que estar na rua no meio de uma pandemia e a quantidade de mortos que o Brasil produziu ou não impediu”, disse Elaine Mineiro.

Crédito: Jéssica Moreira

Direto do Jardim Ângela para a Avenida Paulista, Ana Clara também saiu de casa para manifestar contra o atual presidente. “Pra além do medo de pegar Coronavírus, a gente tem que combater o medo de morrer de fome ou morrer pela bala da polícia. Esse medo não é de hoje, nem do ano passado”, diz.

Ana reforçou que, antes de chegar na região central, participou de outra manifestação em seu próprio bairro. Dessa vez, o motivo foi o assassinato do Gilberto Amâncio, o Gibinha. Morador da Favela da Felicidade, localizada no distrito do Jardim São Luís, zona sul de São Paulo, no dia 14 de maio ele foi alvejado com seis tiros durante uma operação policial que aconteceu perto de sua casa. “Estamos o dia inteiro em atos”, conta a ativista do Maloka Socialista.

Ana Clara saiu de uma manifestação no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, contra o assassinato do jovem Gilberto Amâncio, para protestar contra o presidente Jair Bolsonaro, na Av. Paulista

Crédito: Jéssica Moreira

Tauane Ramos Cavalcante saiu do município de Suzano, na Grande São Paulo, para chegar até o ato. O motivo da sua manifestação é, antes de tudo, pelo direito à existência. “A base mais atingida somos nós, mulheres negras, que carregamos a pirâmide nas nossas costas. Então eu estou aqui porque, primeiro, eu quero o direito de existir. Ai, depois, a gente pede por comida, por vacina, por direitos”, conta.

Para ela, estar nas ruas é um ato de resistência. “Eu não queria furar a quarentena, mas fui obrigada”, desabafa. Em sua opinião, o governo a atinge mais do que a própria pandemia. A falta de estrutura para ficar em casa, com falta de emprego, e, consequentemente, de comida, faz com que ela e outras mulheres se arrisquem todos os dias.

“Eu preciso me colocar na rua, em risco, pra trabalhar e conseguir ter as coisas. Então nós estamos aqui, no meio de uma pandemia, pedindo o direito de existir”, diz Tauane Cavalcante

Crédito: Jéssica Moreira

 


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