Evelyn Pereira Barbosa

Evelyn Pereira Barbosa, 37 anos, artivista e moradora do Parque Lageado - Guaianases (SP).

O espaço “Nossas Vozes” tem o objetivo de valorizar a subjetividade, trajetória e a opinião de mulheres. Os textos divulgados aqui não refletem necessariamente a opinião do Nós.

Próximo de completar 11 anos da morte de Sueli, nossa mãe, conseguimos e aceitamos nos reunir pra um almoço em família nessa data. Reunimos três dos oito filhxs, depois chegou mais três pra ver as irmãs.

Cozinhamos, conversamos, comemos como era naquele tempo em maio; aniversários, Natal, Ano Novo e cultos religiosos, e todo domingo, onde ela fazia questão da presença de todxs. “Quero meus oito filhxs embaixo das minhas asas”.

Recordamos algumas coisas. Inclusive as saladas de legumes cozidos que não podiam faltar em almoço especial pra garantir um prato saudável na refeição. Ela fazia questão! E aproveitava esses momentos pra falar da importância e incentivar as demais pessoas da família a separar o lixo, economizar água e não jogar comida fora. “Vai faltar água potável no planeta”, “temos que reciclar”, fora as dicas de saúde e nutrição.

E nos fazia de plateia para falar dos seus sonhos – seu buffet: “vou empregar muita gente da família”. Para testar uma receita nova, reunia toda a família em almoço de domingo pra degustar.

Outro sonho: a faculdade de serviço social. Viajar o mundo com o companheiro em uma caminhonete quando se aposentar, os tratamentos estéticos, a prótese dentária e o gosto em ajudar o próximo faziam parte dos seus planos.

Impossível não se tornar sua fã. Principalmente quando contava as histórias de quando dançava gafieira e de como foi namoradeira. “Ah meu tempinho”, “fazia sucesso nos bailinhos”.

E as meninas da família sonhavam: “quando crescer quero ser igual a tia Sueli“. Menos eu. Precisava afirmar minha identidade, então fazia de tudo pra ser o oposto da minha mãe. Menos o gosto e o engajamento com causas sociais. Isso ela me deixou de legado. Isso não deu pra fugir. Ela, na igreja e no social. Eu, na arte, na cultura e na educação.

Hoje, luto, para mantê-la viva na minha história e nas minhas ações. Porque habita no meu coração. O dia, o almoço, foi em sua memória. Não tem foto pra esse momento, mas ficará em nossas lembranças de recordação.

Te amamos mãe. Saudades com S maiúsculo. Saudades com S de Sueli. Sueli, presente!

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