O ano novo começou e voltamos com a nossa programação de dicas culturais da semana. Nesta edição, a sugestão é aproveitar o tempo livre em casa para conhecer um pouco mais a realidade e importância dos povos originários por meio de filmes indígenas disponíveis na TV e internet.

Vem com a gente!

Piripkura

Dois indígenas nômades, do povo Piripkura, sobrevivem cercados por fazendas e madeireiros numa área ainda protegida no meio da floresta amazônica.

Crédito: divulgação

Dois indígenas nômades sobrevivem cercados por fazendas e madeireiros numa área ainda protegida da floresta amazônica. Baita e Tamandua são os dois últimos indígenas Piripkura em condição de isolamento que se tem notícia.

Jair Candor, servidor da Funai (Fundação Nacional do Índio), acompanha os dois indígenas desde 1989. No documentário Piripkura (2017), ele realiza uma de suas expedições periódicas, acompanhado por Rita, a terceira sobrevivente Piripkura, para monitorar vestígios que comprovem a presença deles na floresta e proteger a área.

Segundo reportagem da Amazônia Real, desde 2019, sob o governo Bolsonaro, as fiscalizações diminuíram e aumentaram as invasões e o desmatamento no território Piripkura. O filme, dirigido por Mariana Oliva, Bruno Jorge e Renata Terra, está disponível no Amazon Prime Video.

Ex-pajé

Filmes indígenas

Um pajé passa a questionar sua fé depois de seu primeiro contato com os brancos, que alegam que sua religião é demoníaca.

Crédito: reprodução

O documentário Ex-pajé (2018), de Luiz Bolognesi, conta a história de Perpera Suruí, um ex-xamã que foi obrigado a renunciar aos seus poderes quando seu povo foi evangelizado no Brasil.

A missão religiosa comandada por um pastor intolerante, porém, é posta em cheque quando a morte passa a rondar a aldeia e a sensibilidade do índio em relação aos espíritos da floresta mostra-se indispensável.

O filme ganhou os prêmios de melhor documentário no Festival de Cinema de Chicago e o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Berlim e está disponível no catálogo da Netflix.

A última floresta

Filmes indígenas

O filme discute também a sedução dos garimpeiros aos jovens Yanomamis.

Crédito: reprodução

Também do diretor Luiz Bolognesi, A última floresta (2021), apresenta a luta do líder indígena Davi Kopenawa Yanomani, que assina o roteiro também, na tentativa de manter vivo os espíritos da floresta e as tradições Yanomani diante da chegada de garimpeiros no território, que traz morte e doenças para a comunidade.

Ao mesmo tempo, o filme mostra os mais jovens encantados com os bens trazidos pelos brancos; e a história de Ehuana, que vê seu marido desaparecer e tenta entender o que aconteceu em seus sonhos.

O filme é baseado no livro A Queda do Céu – Palavras de um Xamã Yanomami, escrito pelo antropólogo Bruce Albert a partir das vivências e tradições do povo Yanomami e suas lutas pela sobrevivência contra as múltiplas ameaças representadas pelo homem branco, reconstruídas através das falas de Kopenawa, o personagem central do livro e do filme.

Lançado no Festival de Berlim em 2021, ganhou prêmio de melhor filme no Festival Eco de Seul, Coreia do Sul, melhor obra do Festival dos Povos Originários de Montreal, no Canadá, e melhor documentário no Festival Signs of The Night da Alemanha. Está no catálogo da Netflix.

Fazedores de Floresta

Filmes indígenas

“Fazedores de Floresta” é um mergulho em realidade virtual na experiência do Instituto Socioambiental (ISA) e da Rede de Sementes do Xingu.

Crédito: reprodução

A muvuca de sementes é uma das melhores estratégias para plantar árvores. Mas para replantar uma floresta inteira, precisamos também de uma muvuca de gente. Unir ambientalistas, comunidades locais e produtores rurais parece um sonho improvável, mas foi essa aliança inovadora que regenerou mais de 6 mil hectares de floresta Amazônica. Até agora.

Em formato de curta-documentário em realidade virtual, Fazedores de Floresta (2021) realiza uma imersão nesta experiência do Instituto Socioambiental (ISA) e da Rede de Sementes do Xingu que juntaram uma diversidade de pessoas, conhecimentos e sementes nativas para recuperar áreas degradadas nas bacias dos Rios Xingu, Araguaia e Teles Pires, no Mato Grosso.

A produção, com direção e roteiro de Tadeu Jungle, apresenta este trabalho que movimenta uma economia do cuidado com pessoas e florestas, fortalece culturas e impulsiona o equilíbrio socioambiental e o bem-estar dos moradores da região.

O pré-lançamento do filme aconteceu durante a COP26, conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas em Glasgow, na Escócia, e o evento de lançamento aconteceu em dezembro de 2021.  Para assistir, acesse o site do projeto www.fazedoresdefloresta.org .

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Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.