Na História da nossa sociedade, as mulheres nem sempre foram respeitadas e valorizadas como deveriam, sobretudo as mulheres negras. Quando pensamos em museus, estátuas, monumentos, até mesmo nos nomes das ruas e avenidas, a gente percebe essa ausência feminina.

Em São Paulo (SP), por exemplo, dos 367 monumentos da cidade, apenas 45 representam mulheres, segundo dados do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH). 

Aqui no Nós a gente já trocou ideia sobre esse tema muitas vezes e acreditamos que com nossas histórias também colaboramos para diminuir esse apagamento.

Existem nas cidades algumas homenagens a mulheres que vale a pena visitar. Conheça!

Mãe Preta

No centro histórico de São Paulo (SP), em frente à Igreja do Rosário dos Homens Pretos no Largo do Paissandu está a estátua “Mãe Preta”. Trata-se da imagem de uma mulher que lembra o trabalho das amas de leite no período escravocrata. 

Criada por Júlio Guerra, a partir da iniciativa do Clube 220, entidade que congregava agremiações negras do Estado de São Paulo, a estátua foi inaugurada em 1955, em ocasião das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo. 

O local a partir daí começou a ser escolhido para as celebrações pela libertação dos escravos nos dias 13 de maio, e mais recentemente no Dia da Consciência Negra. 

Madrinha Eunice 

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O bairro da Liberdade, no centro de São Paulo (SP), é famoso por abrigar a comunidade japonesa, mas ele foi no passado um território negro, de comércio e castigo de escravizados. 

Algumas iniciativas como o Guia Negro organiza passeios na região, contando a história e visitando monumentos. Um deles é a estátua de Deolinda Madre – a Madrinha Eunice, sambista que foi uma das fundadoras da Lava-Pés, na década de 30, uma das primeiras escolas de samba da cidade. 

Carolina Maria de Jesus

Estátua de Carolina Maria de Jesus

Escultura foi inaugurada no dia 28 de julho.

Crédito: Beatriz de Oliveira

Inaugurada na semana passada, a estátua da escritora Carolina Maria de Jesus fica em Parelheiros, no extremo sul da cidade de São Paulo. O bairro foi o escolhido por ela para construir o seu grande sonho da casa de alvenaria.

Autora de “Quarto de despejo”, diário autobiográfico escrito a partir das vivências na Favela do Canindé, Carolina teve sua obra traduzida para 13 idiomas, sendo uma das escritoras mais publicadas do Brasil. 

Mãe Stella de Oxóssi

 

Em Salvador (BA) fica a estátua em homenagem à Mãe Stella de Oxóssi, na avenida que também leva seu nome. Stella foi mãe de santo, sacerdotisa e uma das principais ialorixás do país. 

Inaugurada em 2019, um ano após sua morte, a obra de Tatti Moreno é composta de duas esculturas, uma que representa o orixá Oxóssi e a imagem da ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Dona Lindu

No Recife (PE), no Parque Dona Lindu, na região da Praia de Boa Viagem, fica o “Memorial aos retirantes”, inaugurado em 2008.  

O monumento, assinado por Abelardo da Hora, homenageia Eurídece Ferreira de Melo, conhecida como Dona Lindu, mãe do ex-presidente e atual candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que saiu de Caetés, interior do estado, levando oito filhos para migrarem com ela para São Paulo. 

Marielle Franco

No dia 27 de julho, data em que Marielle Franco completaria 43 anos, foi inaugurada no centro do Rio de Janeiro (RJ) uma estátua em homenagem à vereadora, assassinada em março de 2018. 

A obra em tamanho real, criada pelo artista Edgard Duvivier, foi uma iniciativa do Instituto Marielle Franco e teve apoio de doações de mais de 600 pessoas. 

 

Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.