Historiadores, jornalistas, relações públicas, advogados, educadores, criminalistas, sociólogos, videomakers, entre outros, uniram-se para realizar, no mês de junho, uma campanha on e off-line para elucidar as questões que envolvem a prisão e condenação do jovem Rafael Braga, preso durante as manifestações de junho de 2013 portando detergente e água sanitária.
A campanha vai levar para diferentes pontos da cidade de São Paulo e região metropolitana debates, palestras, exibição de filme e atividades de formação. Em paralelo, uma campanha virtual pretende chamar a atenção, no Facebook e Twitter, para os motivos que fazem da prisão e condenação de Rafael Braga um ataque direto à população negra brasileira e aos direitos humanos.
A linha do tempo desde a primeira prisão de Rafael Braga, em junho de 2013, até sua condenação, em abril de 2017, revelam uma série de equívocos no processo. Rafael foi condenado por tráfico e associação para o tráfico de drogas com base, exclusivamente, em depoimentos policiais, desconsiderando testemunha presencial que contradizia as informações dos PMs sobre a apreensão. Condenado a 11 anos e três meses de prisão, além do pagamento de uma multa de R$ 1.687 ao Estado, ele foi supostamente flagrado na posse de 0,6g de maconha, 9,3g de cocaína e um rojão.

Crédito: Midia Nijna

Crédito: Midia Nijna


A família de Rafael Braga e integrantes de diferentes movimentos sociais acusam a polícia de ter forjado um flagrante. Também lhe foi negado o pedido de contestar a localização de sua apreensão, mesmo estando de tornozeleira mecânica, em razão da prisão cautelar domiciliar por outro questionado processo, em que ele foi preso durante as manifestações de junho de 2013 portando Pinho Sol.
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“O Brasil tem a quarta população carcerária do mundo e mais de 60% das pessoas encarceradas são negras. Casos como o de Rafael Braga, em que jovens das periferias, em sua maioria negros, são condenados ou respondem a processos encarcerados, à mercê de rasas e não comprovadas fundamentações de testemunhas questionáveis, são a regra neste país”, diz Suzane Jardim, historiadora e uma das integrantes do grupo que realiza a mobilização.
Utilizando este caso como exemplo, as atividades da campanha 30 dias por Rafael Braga pretendem jogar um holofote sobre o racismo que estrutura as políticas brasileiras de segurança pública, que promove o encarceramento em massa da população negra e desconsidera as questões socioeconômicas e consequências sociais, psicológicas e econômicas para a sociedade.
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