Livros

Vida e memórias de Marielle Franco viram fotobiografia inédita

Fotobiografia da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, é lançada cinco anos após o crime

Por Mariana Oliveira

18|08|2023

Alterado em 18|08|2023

A fotobiografia da vereadora Marielle Franco foi lançada no dia 14 de agosto no Museu Afro Brasil, localizado no Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Organizada pelo Instituto Marielle Franco, a obra “Marielle Franco – Fotobiografia” reúne mais de 70 fotografias, entre imagens conhecidas na mídia e exclusivas.

A roda de conversa de lançamento aconteceu no mesmo dia em que o assassinato completou cinco anos e cinco meses. Marinete Silva, mãe de Marielle e fundadora do Instituto Marielle Franco, era presença confirmada. Entretanto, devido às chuvas que atingiram o Rio de Janeiro, diversos voos foram cancelados no Aeroporto Santos Dumont, impedindo sua chegada.

Como solução, Marinete se conectou com o evento por chamada de vídeo. Ela relatou a importância do encontro para a memória da filha. “Esse livro traz a memória da Marielle. Mostra toda a história de vida dessa mulher. Marielle sempre estará presente”, conta dona Marinete.

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A fotobiografia da vereadora Marielle Franco foi lançada no dia 14 de agosto © Mariana Oliveira

Lançamento da Fotobiografia de Marielle Franco © Mariana Oliveira

O nome de Marielle ficou marcado por sua morte, mas o ponto mais debatido no evento foi o quanto o livro é marcado pela vida. Bianca Santana, Diretora-executiva da Casa Sueli Carneiro, se emocionou ao contar com “muita dor e respeito ao convite” a necessidade em ter uma fotobiografia que enfatize o sorriso e alegria de Marielle. 

O lugar da perda, da execução é uma dor que não conseguimos contar no Brasil. Marielle era única, nenhuma de nós é igual, mas ainda bem que existe o Instituto Marielle Franco, as sementes de Marielle e mais mulheres negras eleitas, porque talvez assim possamos transformar essa dor em uma possibilidade de mudança no país.

Bianca Santana

A mesa ainda contava com a participação da coordenadora do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil Emanoel Araújo, Simeia Mello. Ela explicou a importância do lançamento acontecer no museu, principalmente para o não apagamento da história e da memória das pessoas negras.

“Nós vivemos em uma sociedade estruturalmente racista e marcada pela violência de gênero. Sempre gosto de pensar não só a partir da violência, para não ficarmos sempre marcados por ela, assim como fizeram com Marielle. Tentaram, mas não conseguiram pois estamos aqui, inclusive no Museu Afro Brasil, um espaço que mostra a importância de construir lugares de memória de pessoas negras”, afirma Simeia.