Sempre morei em casa com quintal grande e até brincar na rua era algo muito comum. Cresci e a cidade também, e com isso a construção de prédios foi aumentando.
Comecei a namorar e após alguns anos, começamos a pensar em casamento, mas para isso era preciso um lugar para morar.  E assim iniciou a procura por um imóvel, e o que mais encontrava eram bem compactos e para o espanto, apartamentos com 2 dormitórios, varanda, sala, cozinha e lavanderia tudo em apenas 43m².
Me questionava: “Como isso é possível? Como morar ou até mesmo receber a família em um espaço tão pequeno assim? E quando tiver filhos?”. E concluia: “Bom, a criança viverá presa nesse cubículo e terá uma área de lazer dentro do próprio condomínio. Já brincar na rua, ah, isso ela só vai saber quando os pais, os tios, os avós contarem como foi a infância”.
Triste isso, mas é a realidade e o que o mercado oferece. E não pense que isso é algo fácil, mesmo com todos os poréns, adquirir um imóvel assim é um sufoco danado e infelizmente para poucos. Assim, não teve saída, ou era isso ou o aluguel, pois uma casa no tamanho que estava acostumada, mesmo na periferia, se estava à venda, o valor era fora do bolso.
Sendo esse o padrão dos imóveis que estão sendo construídos, a saída foi comprar um imóvel em construção, a entrada podia ser parcelada e quando fosse financiar as condições financeiras seriam melhores.
Ilusão! Mesmo com parcelas que poderíamos pagar, devido a reajustes mensais, foi ficando difícil guardar uma grana, e vendo que as parcelas iam aumentando, o desespero bateu, e a dúvida se havíamos feito um bom negócio começou a pesar.
Enfim, após quase um ano a opção foi cancelar o contrato, receber menos da metade do investido, mas era melhor assim para evitar maiores prejuízos lá na frente.
Foi a melhor escolha? Pode ser que sim, pois o imóvel em 3 anos valorizou e na época a renda não iria permitir um financiamento de um “apertamento” naquele valor.
O tempo passou e topei casar, e para nossa surpresa, os valores só aumentaram. A saída foi ir para o aluguel, começar a poupar. Quem sabe quando esse boom imobiliário se estabilizar – se é que vai – será possível conseguirmos a tão sonhada casa própria, mesmo que seja dentro de 40m².