Celebrar o Dia da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha. Esse foi o objetivo do encontro realizado na última sexta-feira (25/7) por estudantes do Campus São Bernardo da Universidade Federal do ABC (UFABC).

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Mulheres discutem os desafios da mulher negra na sociedade


Organizado pelas próprias estudantes da universidade, o evento foi o primeiro a discutir o assunto após dez anos de inauguração da UFABC, onde 50% das vagas são direcionadas a cotistas (cotas raciais e sociais). “É muito importante fazer um evento assim em nossa universidade, por ter esse público [cotista], e até mesmo para nos aproximarmos dos nossos técnicos administrativos, pessoal da limpeza, zeladoria. É importante ter essa ligação, não só aqui dentro, mas também para a cidade,  na região do ABC e para o estado de São Paulo”, apontou a estudante Glória Maria Almeida, 22, que realizou a mediação do do evento.
A mesa de debate contou com a presença da jornalista Jéssica Moreira, 23, que representou o Coletivo Nós, mulheres da periferia e com a presidenta do Diretório Acadêmico do Campus, a estudante Diana Mendes, 22. Inspiradas pelo Documentário “25 de julho – Feminismo Negro Contado em Primeira Pessoa”, as presentes abordaram, entre outros temas, a importância da presença da mulher negra na universidade e os desafios que ainda precisam ser percorridos para driblar o racismo na sociedade.
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Exposição Ver e Ser Vista


“Me sinto privilegiada por representar essa classe dentro da Universidade e não tem palavras que cheguem perto do aprendizado que tive hoje. Um aprendizado sobre a minha história e sobre a minha identidade. O reconhecimento de muitas meninas negras vem pelo seu cabelo e talvez eu esteja nesse processo (ou não). O problema não está no meu cabelo ou na minha roupa. Está no meu olhar no espelho todos os dias e saber que sou história de todas mulheres que sofreram com a escravidão no país, ou militantes que perderam suas vidas na ditadura ou mesmo das mães que perdem seus filhos pela violência todos os dias na periferia”, apontou Diana.
Para Jéssica, o encontro permitiu o reconhecimento da cultura e identidade negra, assim como a reflexão acerca dos desafios ainda presentes. ” A felicidade foi em dose dupla, primeiramente em  ver as portas da academia se abrindo para a sociedade, principalmente para nós, da periferia, que sempre estivemos tão distantes dela. Segundo por participar de um evento organizado pelas próprias estudantes da universidade: negras, cotistas e também vindas das bordas das cidades. Lá, nos encontramos e reconhecemos uma na outra a negritude presente. Os processos vividos até chegarmos à nossa identidade negra; a descoberta da beleza dos cachos, crespos, black-powers e dreads.”
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Além do debate, estudantes da universidade também produziram a Exposição Fotográfica “Ver e Ser Vista”, que tem como objetivo empoderar e retratar algumas das mulheres negras da instituição. As fotos ficam expostas até o dia 15 de agosto, na Biblioteca do Bloco Beta do Campus de São Bernardo. 
Abaixo, a estudante Glória Maria Almeida comenta como foi seu processo de identidade negra a partir do cabelo e a importância do evento. Confira!