Estamos vivendo o pior momento da pandemia no Brasil. A Fundação Oswaldo Cruz divulgou  no dia 17 de março um levantamento sobre as taxas de ocupações de leitos em todo o país a partir da crise de Covid-19. Segundo os pesquisadores, 24 estados e o Distrito Federal apresentam, no momento, taxa de ocupação em UTIs (Unidades de Terapia intensiva) acima de 80%, sendo 15 com 90% ou mais. A entidade também pediu maior rigor nas medidas de restrição às atividades não essenciais e definiu a situação como o “maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”.

Diante disso, da escassez de vacina e da total desorganização do governo para conter a pandemia, profissionais têm trabalhado para divulgar maneiras mais seguras de proteção, principalmente para quem precisa sair de casa. Dois deles são a antropóloga Beatriz Klimeck e o administrador público Ralph Holzmann.

Eles criaram a página @qualmascara com o intuito de levar informações baseadas em evidência sobre o uso de máscaras de forma facilitada. “A principal informação que nos motivou a começar este trabalho foi o consenso sobre a importância da transmissão via aerossóis nos principais periódicos internacionais. Ou seja: poderíamos gastar menos com álcool borrifado nas compras e focar mais no contágio pelo ar”, explicam no perfil.

Beatriz é mestre e doutoranda em Saúde Coletiva, e Ralph Holzmann é também gestor de mídias sociais. Eles criaram o projeto a partir da busca pessoal por máscaras melhores. “Não somos especialistas na atuação do vírus no organismo. Nosso trabalho aqui é de divulgação científica: selecionar as informações a partir de fontes confiáveis”, esclarecem.

Alguns países da Europa passaram a exigir e recomendar o uso das máscaras tipo N95 e PFF2. A preocupação comum a eles é a alta transmissibilidade das novas variantes do coronavírus. As variantes não mudaram as formas de transmissão, apenas sua intensidade.

Em lugares fechados, a transmissão é via aerossóis, pequenas partículas que podem ficar no ar por minutos.  Por isso, recomenda-se um tipo de máscara chamado PFF2 para espaços fechados, transporte público e lugares com muitas pessoas.

PFF significa “Peça Facial Filtrante”. O número 2 tem a ver com a porcentagem de proteção. A 2 é suficiente para a covid-19 (equivalente a uma N95, nome do modelo nos Estados Unidos).

As máscaras de pano eram uma boa opção quando tínhamos poucas máscaras cirúrgicas disponíveis no mercado. Ao escolher uma máscara de pano, busque as que têm menos costuras na frente, mais camadas e melhor encaixe no rosto. Elas devem ser descartadas após 30 lavagens.

Máscaras de tricô podem ser bonitas, mas não protegem contra Covid-19 e não são recomendadas. As máscaras cirúrgicas também são opções melhores que as de pano, principalmente se tiverem haste de metal para moldar o nariz, como o mínimo de “vazamento possível”.

O uso de máscaras diminui não só o risco de pegar a doença, mas também diminui a quantidade de carga viral com a qual você entra em contato. Isso pode significar menos risco de complicações. Ainda assim, o distanciamento físico e boa ventilação nos ambientes são fundamentais para proteção adequada.

 

 

Confira as dúvidas respondidas pela dupla no perfil @Qualmascara

1 – Onde encontro N95?PFF2 para comprar e quanto custa?

Em lojas de material de construção, lojas de tintas e lojas de produtos hospitalares no seu bairro. O site pffparatodos.com tem uma grande lista de lojas online e físicas em todo o país onde você pode comprar uma PFF2. O preço médio é entre R$2 e R$10.

2 – Como reutilizar a N95/PFF2?

Deixe o descansando em um lugar arejado e longe do sol entre três e sete dias para dar tempo do vírus morrer e ser seguro reutilizar. Se tiver contato direto com pessoas infectadas, descarte. Para uso diário, use enquanto ela estiver íntegra e com boa vedação no rosto. Não lave e não passe álcool, pois danificará o filtrante.

 

3 – Não achei, não consegui comprar, não tenho dinheiro. E agora?

Se o seu trabalho te obrigar a usar a de tecido, use a PFF2 por baixo. Se não encontrar ou não puder pagar por uma PFF2, procure uma máscara cirúrgica ou de tecido de no mínimo três camadas. Precisa estar bem justa ao rosto, para não vazar pelas laterais, embaixo, nem perto do nariz. Você também pode usar uma máscara cirúrgica por baixo e a de tecido por cima, para aumentar a proteção. Caso não consiga usar ou caso não consiga comprar, evite utilizar as PFFs valvuladas em ambientes fechados ou mal ventilados para maior proteção das outras pessoas.

4 – Como proteger meus filhos? Existe PFF2 crianças?

Não existe. A melhor solução é utilizar máscara cirúrgica infantil (que tem um tamanho reduzido, adequado para as crianças) — pela filtragem — com uma máscara de tecido por cima — pelo ajuste. Nessa combinação (máscara cirúrgica por baixo e máscara de tecido por cima) a máscara cirúrgica fará a filtragem do ar e a máscara de tecido ajudará na vedação, então o mais importante mesmo é que a máscara de tecido fique bem justa, rente ao rosto.

5 – A máscara “antiviral” funciona?

Não se questiona a capacidade do tecido de inativar o vírus depois de um tempo de contato, como dizem as propagandas. O problema é que o nome “antiviral” promete mais do que cumpre: inativar o vírus que se agarra ao tecido não significa filtrar bem ou vedar bem. É mais importante que a máscara tenha uma filtragem boa (tripla camada, no mínimo) e boa vedação do que tecnologia especial. Essas não cumprem esses requisitos e dão falsa sensação de segurança. Assim, o modelo n95/pff2 ainda é o mais seguro, porque a filtragem e a vedação são excelentes. Lembrando que qualquer máscara é melhor que nenhuma máscara!

6 – Quem tem barba deve tirá-la para usar a máscara?

Sim, e quanto mais longa, pior. Tem a ver com a vedação da máscara, que é fator essencial para completar a filtragem. A barba impede que a máscara fique rente à pele, permitindo que o ar passe por entre os fios. Apesar de parecer pequeno o espaço, o vírus é muito menor. Sendo assim, barba de qualquer tamanho é prejudicial.

7 – A máscara pode ter válvula? 

Não! As N95 e PFF2 valvuladas não podem ser utilizadas, pois não filtram o ar na saída e não protegem pessoas perto de você. Elas oferecem proteção apenas a você e o uso de máscaras é também uma proteção coletiva. Se você possui uma deste tipo, considere usar uma fita isolante ou esparadrapo cobrindo a válvula até trocar.

8 – Qualquer máscara é melhor que nenhuma máscara?

Sim, mas as mais comuns do mercado (neoprene, 100% poliéster ou algodão, tricô) não oferecem a proteção mínima recomendada.  Tramas de tecido muito abertas, que você enxerga do outro lado não filtram o suficiente. Evite máscaras com costuras frontais pois elas “abrem o tecido”. Tecidos elásticos, apesar de moldarem bem ao rosto não são recomendados. Prefira máscaras com clipe nasal que vedam melhor.

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