Entre os dias 23 e 27 de setembro aconteceu no Instituto de Artes da Unesp o Seminário Quilombo Mulheres Negras com o objetivo de discutir e promover a arte produzida por e sobre mulheres negras.
A iniciativa do seminário partiu de Mirella Santos Maria, moradora de Santana e estudante do Instituto de Artes, que não se sentia representada enquanto mulher negra e da periferia nas expressões artísticas apresentadas na universidade.
“Durante um bom tempo, o Instituto de Artes para mim foi um espaço totalmente deslocado da minha realidade. Me identificava com poucas pessoas, as propostas que o curso trazia eram e são totalmente alheias a realidade de muitos alunos. Mas ao perceber que as histórias vividas por moradores, ex moradores de regiões periféricas  também devem estar lá e contadas por quem de fato as vive, comecei a abrir meus espaços, lá, para junto com meus pares, aos poucos, desconstruir conceitos cristalizados de arte”, explicou.
Mirella, que atualmente trabalha no Museu Afro Brasil, contou com o apoio da Unesp, Instituto de Artes, Nepafro, Coletivo Juntas na Luta e Nós, mulheres da periferia, com apoio institucional na divulgação.
Durante os dias do seminário, que foi aberto ao público, a programação contemplou debates sobre saraus e literatura negra e periférica, a forma como a mulher negra é retratada na arte, além de intervenções teatrais e musicais.
Para compor a mesa de debates, convidadas e convidados especiais, dentre pesquisadores, militantes do movimento negro e artistas negras, que comentaram um pouco sobre suas produções.  Um sarau marcou o encerramento do seminário.
Durante o encerramento do segundo dia de seminário discutiu-se muito sobre a importância das cotas raciais e como o processo de convivência ainda é conflituoso, dado o fato de que a educação ainda é um espaço extremamente colonizado. Juliana dos Santos, formada em pelo Instituto de Artes da Unesp, contou que não conseguiu se afirmar como artista negra e periférica dentro da universidade, por ter sofrido sempre resistência dos educadores.
“Para o negro e o pobre da periferia atuar na universidade é uma disputa por um espaço que não o contempla, por isso iniciativas como essas são muito importantes”, comentou Cintia Ribeiro, membro do Núcleo de Educação do Museu Afro, graduada em letras pela USP, durante a discussão sobre Negritude e Literatura.
Vanessa d’Alambert, historiadora, que compôs a mesa sobre a Mulher Negra na Arte, reforçou a ideia de que esses espaços precisam ser ocupados. “É preciso tomar a palavra e produzir seus próprios discursos”, afirmou.
A idealizadora do projeto avaliou positivamente o  evento. “Eu quis sair da bolha e tentar mostrar que o conceito de arte ao qual somos educados é totalmente limitado, ter esse espaço para mostrar um pouco de uma outra perspectiva sobre a mulher negra, fora daquela que a mídia incessantemente mostra, vide esse abuso que é essa série O sexo e as negas”, salientou Mirrela, que já está em contato com outras universidade para buscar parcerias e transformar o seminário em um evento anual. 
 

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