O parto domiciliar no mundo é muito recente, mesmo que antigamente essa fosse uma tarefa realizada por parteiras. Atualmente no Brasil, 97% dos partos são feitos em hospitais, segundo o Ministério da Saúde. Em países como a Holanda e Austrália, por exemplo, o parto domiciliar é reconhecido e estimulado pelos sistemas públicos de saúde.
Uma pesquisa publicada na revista científica “British Medical Journal” em 2013, indica que, no geral, os riscos de complicações é de 1 em mil para partos em casa e 2,3 em mil para partos nos hospitais. Roseli de Oliveira, contou para o Nós, mulheres da periferia como foi sua experiência de parto domiciliar de seu primeiro filho. 
Em Dezembro de 2014, gestante de cerca de 18 semanas, recebi um vídeo de uma cirurgia cesariana, e fiquei chocada com a violência das imagens. A partir daí, comecei a pesquisar formas mais respeitosas de trazer meu filho ao mundo, e mergulhei nas pesquisas sobre parto humanizado. Até então, nunca tinha pensado em parir, e não sabia o que era uma doula. Após assistir ao filme “O Renascimento do Parto“, tive a certeza que queria ser protagonista do meu parto.

Roseli e seu marido após o nascimento do Davi | Credito: estúdio Imagético Fotografia

Roseli e seu marido após o nascimento do Davi | Crédito: Estúdio Imagético Fotografia


É difícil descrever em palavras o momento mais grandioso da minha vida! Valeu muito a pena os meses de estudo e dedicação de planejamento do meu parto domiciliar. Receber meu filho na presença da minha família, cercado de amor e carinho, sem nenhuma violência, sem nenhuma intervenção, respeitando o tempo que o Davi precisava para nascer. Ah, me faltam palavras. Faria tudo de novo! Afirmo categoricamente que esta experiência transformou minha vida e a vida da minha família!
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Desde o princípio, fiz acompanhamento com uma ginecologista obstetra (cesarista por sinal). A gestação foi super tranquila, todos os exames com resultados dentro da normalidade. Aliás, este é um dos requisitos pra se ter um parto domiciliar. A gestação não pode ser de risco e a equipe exige um pré-natal bem acompanhado.
Encontrei minha doula, Katia Cilene, através do facebook, e assim que participei de uma das rodas organizada por ela na região da Guarapiranga, periferia da zona sul de São Paulo, meu marido e eu decidimos que o Davi nasceria no aconchego de nossa casa.
A presença e a participação da Katia e do Jerson foi fundamental para o sucesso do meu parto. A cada contração, recebia massagens da Doula, que me aliviavam a dor física, somado as palavras de incentivo e de apoio dela, que renovavam minhas forças. Meu marido, a todo momento, me acalentava e me beijava, e isso me dava forças pra continuar.
“Você é louca!”, essa frase foi unânime! Percebi que as pessoas mais velhas apoiaram muito mais, do que a minha geração. Por isso, decidi não contar pra muita gente, evitando assim receber críticas desnecessárias, de quem se quer conhecer sobre o assunto.
Assim como muitos, eu acreditava que parto humanizado/domiciliar fosse coisa para gente rica, como Gisele Bundchen, mas no fim das contas, saiu muito mais barato do que a taxa de disponibilidade cobrada pela minha ginecologista, para fazer uma cesariana.
E para as pessoas que têm tanto preconceito e são desinformados sobre todos os benefícios físicos, psíquicos e emocionais de um parto natural, deixo uma dica: SE INFORME. Como diz a minha amiga e Doula Katia: “Sem informação, não existe escolha!”. Antes de se submeter a uma cirurgia para trazer um filho ao mundo, estude, questione e procure ajuda. E só assim poderá enxergar os benefícios de confiar em seu corpo e na perfeição de Deus.
Galeria

Roseli de Oliveira Ferreira, 30 anos, é assistente comercial e moradora de Jordanópolis, cidade de Arujá. Casada há três anos e seis meses, cria dois enteados e é mãe do Davi de dois meses.