Estamos vivendo um dos momentos mais tristes de nosso país, com mais de 370 mil mortes por conta da Covid-19. Estima-se que, para cada 100 mil mortes, 1 milhão de pessoas ficam em luto. No Brasil, já há mais de 3 milhões de enlutados em decorrência do coronavírus.

Para entender o luto e mostrar caminhos de acolhimento que possam ir além dos “meus sentimentos”, a jornalista Jéssica Moreira conversa com a psicóloga Ester Maria Horta e a comunicóloga com foco em comunicação não-violenta Iaçanã Woyames.

Para Ester, todos nós estamos em luto neste momento de pandemia, pois o luto está relacionado a um processo de perda. “Não somente a perda de alguém, mas também de  situações. Toda vez que a gente faz uma escolha, perdemos outra. Também há um processo de luto. E quando a gente pensa na pandemia, temos essa perda de trabalho, perdas afetivas, a perda de não estar indo em lugares que se costumava ir”, explica.

Iaçanã começou a estudar comunicação não-violenta após sentir que as pessoas não sabiam muito bem o que dizer enquanto ela vivia o luto de seu filho. A comunicóloga engravidou de Samuel e, na 16ª semana de gestação, um ultrassom apontou para um problema, que depois descobriram ser no trato urinário.

Os médicos a assustaram com a frase ‘seu filho é incompatível com a vida’. Samuel viveu 33 semanas, nasceu de parto normal e viveu ainda 35 minutos no colo de Iaçanã. Foi quando ela começou a vivenciar o luto e ficar incomodada com as frases que costumava ouvir.

“Entre as frases que eu mais ouvia tinha aquelas ‘daqui a pouco você tem outro filho‘, ‘meus pêsames‘, ‘seu filho tem uma missão especial’, ‘você é um exemplo de superação’, ‘você é uma guerreira‘. Eram frases que, de alguma forma, eram doloridas e muito difíceis de ouvir”.

Iaçanã explica que, para além de ‘meus sentimentos’, as pessoas podem utilizar outras frases e também mostrar o que sentem a partir de ações. “‘Tô aqui‘ vale muito mais do que meu sentimento”.

Nós fizemos uma lista aqui no Nós com dicas de nossas entrevistadas, mas também outras páginas que falam sobre luto de uma maneira cuidadosa.

Precisamos do seu apoio para continuar registrando essas histórias. Estamos com uma campanha de financiamento recorrente no Catarse. Apoie o jornalismo independente feito por mulheres, apoie o Nós. Acesse catarse.me/nosmulheresdaperiferia para fazer parte da nossa comunidade.

Leia também:

Morte e pandemia: 8 dicas de como acolher uma pessoa em luto

 

Temas: