No mês de maio o Nós, mulheres da periferia publicou a matéria Conheça e entenda como funcionam as Casas de Parto em São Paulo, trazendo informações sobre as únicas duas casas em funcionamento na cidade. Hoje contamos a experiência de Nathália Nascimento, 23, moradora da zona sul de São Paulo, que a primeira filha nasceu na Casa Angela e a segunda será em sua própria casa.

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Nathália e o marido Michel após o nascimento da primeira filha, Maria Milena | Crédito: Arquivo pessoal


Sempre tive medo de cesária, então quando engravidei já queria normal, mas claro que imaginava que seria no hospital. Conheci sobre a humanização do parto, mesmo assim fiquei com medo, mas depois de assistir um filme e após conhecer a Casa Angela eu não pensei muito e decidi que meu parto seria lá.
Toda a minha gestação foi mágica, fiz o Pré- Natal na Casa Angela e algumas consultas com o médico do plano de saúde. Comecei a ter contrações às 6h e liguei para a Kátia, que ainda não era doula, mas já estudava sobre o assunto, e foi ela quem me acompanhou. Por volta das 11h ela veio para minha casa e me orientou tomar banho, tomar chá, almoçar e só depois às 14h que fomos para a Casa Angela. Lá fizeram exames e fiquei em trabalho de parto, e por umas três horas fiquei fazendo exercícios ou no chuveiro. Durante todo o tempo, meu esposo, Michel, ficou comigo. O parto foi a meia luz e com uma música ambiente, escolhidas por mim. O ambiente ficou aconchegante e às 20h48 a Maria Milena nasceu.
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Meu pai ficou assustado com a escolha e questionou que se tinha convênio era melhor ir para o hospital que é mais seguro, mas no final acabaram aceitando, pois não tinham o que fazer, já estava decidida e agora vai ser assim também.
A minha médica não sabia que seria em uma casa de parto, soube apenas depois que minha filha nasceu e ainda ouvi “Como assim ela nasceu, como fez isso comigo, você trocou a segurança de um hospital por uma casa de parto?” Não passei mais com ela.
Por ter escolhido uma casa de parto passei por uma situação chata. Na Casa Angela não dão vacina, e no posto não queriam vacinar, pois minha filha não nasceu em um hospital e queriam negar um direito que eu tinha. A Milena tem 1 ano e não teve gripe nem nada, sei que o parto normal ajuda a fortalecer e não ter esses problemas. Nunca tomou antibiótico e passa com a pediatra na Casa Angela.
Após essa experiência, agora estou com outro médico, pois em menos de um ano engravidei novamente, estou de 30 semanas e já decidi que esse parto será domiciliar, no aconchego da minha casa, com a Kátia que agora já é doula e a Luciana que é a enfermeira obstetra que já faz todo acompanhamento.
E para as mulheres que acham a cesária como melhor opção, é porque não tem informação.
Galeria
 
Nathália Nascimento, 23, é Educadora e moradora do jardim Santa Margarida, periferia da zona sul de São Paulo. É mãe da Maria Milena de 1 ano e 1 mês e está de 30 semanas, de outra menina, Maria Pietra.