Desde que Mônica Calazans, enfermeira e moradora de Itaquera, zona leste de São Paulo, foi a primeira mulher vacinada do Brasil, em 17 de janeiro de 2021, toda a população acompanha a rotina de vacinação em todo o país.

Apesar de, em meio a problemas de gestão e logística do governo, a ação ainda acontecer de forma lenta, os grupos prioritários – principalmente idosos e profissionais de saúde – vêm participando da distribuição das duas doses da vacina. Cerca de 4,01% da população já recebeu a primeira dose, e apenas 1,35% a segunda (Consórcio de Imprensa/G1).

O estado de São Paulo é o segundo do Brasil com maior índice de pessoas vacinadas. Atualmente, a campanha está vacinando idosos entre 77 e 79 anos. A dona de casa Nair Augusto Geremias, 82 anos, moradora de Artur Alvim, bairro na zona leste de São Paulo, recebeu a primeira dose. “A esperança da gente é grande, que tenha êxito essa vacina. Eu acho que é um meio de acalmar as pessoas”, acredita a idosa, que relatou sofrer de depressão durante a pandemia.

A aposentada Raimunda Conceição Pereira, de 68 anos, moradora da Brasilândia, recebeu a vacinação por meio da antecipação  divulgada pela Secretaria de Saúde, que permite distribuir os lotes excedentes para pessoas acima de 60 anos. Raimunda foi acompanhar o esposo, Walter Pereira, de 83 anos, e garantiu a vacina também.

Todo idoso com 60 anos ou mais pode comparecer à UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima e deixar o nome na fila de espera da vacinação. Além disso, pelo site Vacina Já é possível realizar um primeiro cadastro.

“Fiquei muito feliz. Não senti reação nenhuma. Estou tomando todos os cuidados ainda, não estou saindo de casa, porque penso nas outras pessoas e na minha família. Espero que um dia a gente possa se abraçar, porque a gente sente muita falta dos parentes de longe, mesmo os de perto, porque não pode se encontrar. Espero que um dia todo mundo seja vacinado para a gente voltar ao que era antes”, relatou.

A assistente social Maria Lúcia da Silva, 66 anos, do Jardim Miriam, zona sul de São Paulo, recebeu a vacina junto a outros profissionais de saúde e se preocupa com a lentidão da campanha e também com a falta de cuidado da população mais jovem.

“Pelo comportamento do presidente (Jair Bolsonaro), algumas pessoas acabam desrespeitando. Esse negacionismo afetou mais os mais jovens que os mais velhos. O que está sendo feito aqui no Brasil é criminoso, precisa ter lockdown, as pessoas precisam parar de trabalhar, a vida delas vale muito mais, mas não pode deixar de fazer isso se não tem comida. A precariedade que agrava esse processo”.

Apesar da situação, a profissional, que se formou há apenas sete anos, acredita que, agora vacinada, pode ajudar as outras pessoas. “Sinto alegria. Além de respeito pela vida, senti a importância de estar fazendo coisas, defendendo o direitos das pessoas. Em qualquer lugar, no mercado, me sinto uma assistente social para quem estiver precisando. Para mim foi um motivo pra assumir meu direito e continuar lutando pelos outros”.

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Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.