A gravidez por si só já é um momento muito sensível na vida de toda mulher, e gestar e parir na pandemia torna-se ainda mais difícil. O coronavírus trouxe ainda mais insegurança para grávidas e puérperas. Medo de contaminação, falta de informação e de assistência adequada são alguns dos obstáculos enfrentados por elas.

A pesquisa “Mulheres Grávidas e Puérperas diante do Coronavírus”, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva em agosto de 2020 mostra que  85% das mulheres que estavam grávidas quando o coronavírus chegou ao Brasil ficaram com medo de se contaminar, e uma em cada três diminuiu a ida a consultas e a realização de exames presenciais.

No episódio #33 do Conversa de Portão, entrevistamos Maura Oliveira, da cidade de São Paulo (SP) , a Lucineide Santos, de São Félix, na Bahia, e Érica Xavier de São Paulo (SP). As três pariram ano passado e relatam como está sendo cuidar de um bebê em meio da maior crise sanitária e econômica que já vivemos. Ouça aqui.

São muitas as dúvidas que permeiam este momento. Quando as grávidas poderão tomar a vacina? Mães contaminadas podem amamentar seus bebês? Como será o parto? Se eu pegar Covid-19 meu bebê também pega?

Reunimos algumas respostas. Confira!

2 – Grávidas são grupo de risco?

Sim. O Ministério da Saúde enviou na segunda-feira (26) uma nota técnica orientando que todas as grávidas e puérperas (mulheres no período pós-parto) sejam colocadas no grupo prioritário para receber a vacina contra a Covid-19. Em 15 de março, o governo já tinha incluído as gestantes com comorbidades. Apesar da inclusão, o governo federal diz que primeiro devem ser vacinadas as grávidas com doenças pré-existentes. Só depois é que a outra parte do grupo deve ser divulgada.

1 – Como fica a amamentação?

“Um estudo publicado no Lancet em julho deste ano acompanhou 120 recém-nascidos, filhos de mães portadoras de Covid-19, que foram amamentados com medidas de prevenção do contágio pela via respiratória e nenhum deles testou positivo para Covid-19 ao final de duas semanas”, explica a pediatra Sonia Venâncio, diretora-assistente do Instituto Saúde em entrevista ao Nós.

Ela também relembra que crianças que contraem a Covid-19 tendem, em sua maioria, a desenvolver formas brandas da doença. Sendo assim, a recomendação da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde para as mães com suspeita ou confirmação da Covid-19 é que elas amamentem.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) as recomendações sobre a amamentação devem ser baseadas em uma consideração completa, não apenas nos riscos potenciais da infecção da criança por Covid-19, mas também nos riscos de morbimortalidade associados à não amamentação e ao uso inadequado de outros leites.

3 – O que muda no pré-natal?

Muda pouco. Ficar em casa é uma das principais recomendações para não se contaminar. Por outro lado, rotinas básicas da gestação incluem consultas médicas presenciais e exames solicitados, de acordo com o perfil da gestante e da evolução da gravidez.

O pré-natal deve continuar sendo feito, com o mínimo de saídas possível. Tanto exames solicitados e quantidade de consultas variam de acordo com a saúde da mulher. É importante manter os cuidados, evitando salas de espera lotadas, e a higiene, lavando as mãos e objetos. Se estiver com dificuldades para seguir o pré-natal por causa de exames e consultas desmarcados na rede pública ou privada, a mulher pode denunciar na secretaria municipal de saúde da cidade onde mora. É a secretaria que precisa oferecer uma alternativa e atender a demanda, mesmo que seja em outro posto de saúde.

3 – Grávidas continuam tendo direito ao acompanhante no parto?

Sim. Ter um acompanhante é um direito da mulher garantido por lei. A Lei do Acompanhante –  nº 11.108 obriga serviços de saúde público ou privado a permitirem que a gestante tenha um acompanhante no trabalho de parto, parto e pós-parto nos hospitais. Durante a pandemia, algumas maternidades estão permitindo apenas um acompanhante. Ele deve estar sem sintomas.

5 – Gestantes podem transmitir covid-19 para os bebês?

Ainda não é possível afirmar sobre o potencial de transmissão do novo coronavírus de mãe para o feto. Até o momento nenhum bebê de mãe doente apresentou o vírus. Também não foi identificado o vírus no líquido amniótico.

6 – Caso a gestante sinta sintomas de Covid-19, o que deve fazer?

Mulheres com sintomas gripais leves como febre, dores no corpo, tosse seca, coriza devem permanecer em casa em isolamento. As gestantes devem comunicar seu médico obstetra dos sintomas e serem monitorizadas. O aparecimento de falta de ar deve motivar a ida ao pronto atendimento.

7 – Quais os cuidados devem ser tomados com os bebê recém-nascidos?

Sempre manipular os bebês com as mãos limpas (lavar com água e sabão ou álcool gel antes e depois de mexer no bebê). Se a mãe e/ou o/a cuidador/a estiverem com sintomas gripais, verificar a possibilidade de outra pessoa realizar os cuidados com a criança. E na ausência desta possibilidade, reforçar a prática de higiene das mãos e usar máscara cirúrgica quando manipular a criança.

8 – É possível transmitir Covid-19 para o bebê durante o parto?

Ainda não conseguimos afirmar sobre o potencial de transmissão vertical do coronavírus (antes, durante ou depois do parto). Dos poucos relatos científicos que existem sobre o coronavírus que causa COVID-19, nenhum dos recém-nascidos de mães doentes apresentaram o vírus – que não foi encontrado no líquido amniótico ou no leite materno.

A contaminação ocorre principalmente por meio de gotículas geradas por uma pessoa contaminada durante tosse/espirros ou contato com secreções. É importante o uso de máscaras e álcool gel (70%) além de discutir com o seu médico a melhor alternativa neste momento tão delicado.

Com informações de Revista Azmina, G1 Saúde, Hospital Einstein e Ministério da Saúde.

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