Segundo o  Ipsos Global Health Service Monitor 2020, levantamento realizado com mais de 20 mil pessoas de 27 países sobre os principais desafios da saúde na opinião dos cidadãos, 77% dos entrevistados no Brasil apoiam a vacinação obrigatória contra doenças infecciosas graves; 10% discordam da afirmação, e 13% não concordam e nem discordam.

O percentual brasileiro que endossa a medida de imunização fica acima da média global de 64%, considerando todas as nações analisadas.

A pesquisa on-line foi realizada com 20.009 pessoas, com idade de 16 a 74 anos, em 27 países, entre os dias 25 de setembro e 09 de outubro de 2020. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.

A Ipsos é uma empresa de pesquisa de mercado independente e entrega dados e análises sobre pessoas, mercados, marcas e sociedades para empresas e organizações. A pesquisa foi realizada em associação com o Fórum Econômico Mundial.

Entre os 27 países, aqueles cujos entrevistados mais acreditam que a vacinação deveria ser compulsória são: Malásia (86%), Argentina (82%) e Arábia Saudita (80%). O Brasil ficou empatado com o Chile (77%) em quinto lugar, logo atrás do Peru (78%).

Por outro lado, Rússia (44%), Estados Unidos (50%), França (50%), Polônia (50%), Hungria (52%) e Japão (52%) são as nações que apresentam os índices mais baixos de concordância com a obrigatoriedade de tomar vacina contra doenças infecciosas graves.

O estudo avaliou ainda a percepção dos respondentes sobre a qualidade dos serviços de saúde de seu país. Por serviços de saúde, entende-se médicos e especialistas, hospitais, testes para diagnóstico e medicamentos para tratar várias doenças.

No Brasil, 35% consideram que a qualidade do serviço de saúde a que eles e suas famílias têm acesso é ruim ou muito ruim. Em contrapartida, 31% acham que é boa ou muito boa e 34% se mantiveram neutros.

Globalmente, 50% estão satisfeitos com o serviço de saúde fornecido em sua nação, 18% consideram ruim ou muito ruim e 32% ficaram neutros. Os países que enxergam o sistema de saúde local de maneira mais positiva são Austrália (81%), Holanda (76%) e Reino Unido (74%). Já Peru (40%), Hungria (42%) e Polônia (53%) são os menos satisfeitos.

O Brasil está entre as nações com maior esperança em um avanço no setor: 64% esperam que a qualidade dos serviços de saúde melhore nos próximos anos, 8% acreditam que vai piorar e 28% acham que estará igual.

Considerando todas as respostas a nível global, apenas 32% apostam em uma melhoria, 16% acreditam em uma piora e 52% creem que o sistema de saúde se manterá igual.

A avaliação otimista de 64% dos brasileiros coloca o país em terceiro lugar entre os que mais acreditam que o sistema de saúde melhorará, atrás somente do Peru (68%) e da Arábia Saudita (67%). Na Polônia (10%), Japão (11%) e Hungria (12%), a quantidade de pessoas que aposta na melhoria é de cerca de 1 em cada 10.

Os maiores problemas da saúde no Brasil e no mundo

O resultado do levantamento consolidou a pandemia de Covid-19 como a grande vilã da saúde atualmente. Das 27 nações avaliadas, 26 acreditam que o coronavírus é a maior enfermidade que o povo de seu país enfrenta hoje. Apenas a Rússia responde diferente, colocando o câncer na primeira posição.

No ranking brasileiro, 82% citaram o coronavírus. O câncer e a saúde mental ficaram empatados com 27%, seguidos pelo estresse (18%) e pelo abuso de drogas (14%). Já os grandes problemas globais são: coronavírus (72%), câncer (37%), saúde mental (26%), estresse (21%) e obesidade (18%).

No que diz respeito ao sistema de saúde de cada país, os participantes no Brasil acreditam que o maior problema é a falta de investimento no setor (mencionado por 43%) e a falta de investimento em saúde preventiva (também com 43%). Logo depois vem o acesso a tratamentos e os longos períodos de espera, com 37%. A burocracia (28%) e o tratamento de qualidade ruim (27%) completam o top 5 dos déficits na saúde brasileira.

Globalmente, o cenário muda um pouco de figura. O acesso aos tratamentos e os longos períodos de espera ficam no lugar mais alto do pódio, com 40%. O número insuficiente de funcionários foi citado por 39% e o custo do acesso a tratamentos, por 31%. Na quarta posição está a burocracia (26%) e, na quinta, a falta de investimento em saúde preventiva (24%).

 

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