Carolina Messias

Carolina Messias é jornalista e moradora do Grajaú, zona sul de São Paulo.

O espaço “Nossas Vozes” tem o objetivo de valorizar a subjetividade, trajetória e a opinião de mulheres. Os textos divulgados aqui não refletem necessariamente a opinião do Nós.

Para minha família a formatura sempre foi o evento mais aguardado quando estudava. O dia sempre é cheio de emoções, risadas, confusões (quatro mulheres divididas entre comer, se maquiar, passar o macacão e decidir qual sapato, já dá para imaginar a bagunça, né?) e, por fim, íamos todos felizes e muito bem arrumados para a formatura. Assim aconteceu no 9° ano e 3° ano do ensino médio.

Quando comecei a faculdade de jornalismo, em 2017,  lembro que minha avó foi a primeira a dizer que já estava ansiosa para minha formatura, e eu brinquei que iria demorar muito.

Num “piscar de olhos”, me formei nesta semana, mas dessa vez foi bem diferente de tudo que pudesse imaginar. A um mês recebi um e-mail da faculdade informando que minha formatura seria online, devido ao COVID-19, e que deveria  enviar os documentos pendentes. Na semana passada recebi um novo e-mail com data, hora, link dos alunos e link dos convidados.

Dessa vez não foi preciso pensar em um vestido, maquiagem etc., somente coloquei uma camisa de trabalho e entrei na sala do Zoom no horário combinado

Com o capelo online disponibilizado como filtro pela própria plataforma, para minha surpresa não havia nenhuma orientação da faculdade.

Eu e mais 300 formandos ficamos aguardando por 1 hora até que a cerimônia começasse, como não conhecíamos um terço das pessoas que estavam ali, ficamos calados sem entender nada. Ao que me parece a cerimônia era gravada, uma vez que a todo momento o cerimonialista falava “boa noite” em plena cinco da tarde.

Alguns professores, coordenadores e alunos fizeram seus discursos. Foi falado o nome de um por um, de acordo com o curso, e a cerimônia acabou. Tirando hora que fiquei parada em frente ao computador, somente aguardando orientação da faculdade, a cerimônia durou uma hora.

Não foi emocionante, não teve beca, não tirei foto com minha família e tampouco consegui encontrar as pessoas que estudaram comigo na videochamada.

Por fim, a formatura da segunda neta graduada da família foi bem diferente do que todos esperavam. Acredito que faz parte do “novo normal” e finalmente,  sou uma jornalista.

 

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