“Eu gosto muito de estudar, mas não gosto de ir pra escola. Eu queria que fosse um lugar melhor”. O desejo de uma educação pública melhor para todos, mas principalmente para as meninas, é uma das propostas que Luiza, de 16 anos, levará para a Assembleia Geral das Nações Unidas no fim do mês em Nova York.
Moradora de Cascadura, zona norte do Rio Janeiro, junto com a adolescente Irlana, do Maranhão, ela representará o grupo de meninas brasileiras que participaram do projeto “Essa é a minha vez” da Plan International, organização não-governamental inglesa com projetos de promoção dos direitos das meninas no mundo todo.

Luiza, de Cascadura, Rio de Janeiro.

Luiza, de Cascadura, Rio de Janeiro.


Realizado nas cinco regiões do Brasil, o “Essa é a minha vez” desenvolveu oficinas com adolescentes com reflexões sobre igualdade de gênero, políticas públicas e direitos das mulheres. “Falavam muito sobre feminismo, parecia um bicho de sete cabeças, mas agora aprendi que sou feminista, por ser menina, porque eu quero direitos iguais entre as mulheres”, afirma Luiza.
Depois de participar das oficinas no Rio, a jovem foi eleita pelas próprias colegas para representá-las em um encontro em Brasília, que reuniu o grupo que escreveu a carta com as propostas das meninas brasileiras para que os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam alcançados. Acordados no ano 2000 por 189 nações, e reforçados como compromisso em 2010, os ODS vencem este ano e em setembro os países membros da ONU se preparam para um novo acordo global.
Em Brasília, as próprias meninas também escolheram Luiza e Irlana para participar da Assembleia da ONU. As brasileiras estarão lá para apresentar e cobrar dos representantes dos países que as propostas delas para educação e profissionalização, saúde e políticas sejam consideradas neste novo acordo.
“Nunca viajei para fora do país, estou bastante ansiosa. Nossa, ainda não caiu a ficha!”, confessa Luiza, que é vocalista de uma banda de rock e toca guitarra. “Quando fui tirar o visto, o cara olhou pra mim e disse ‘É turismo, né?’. Eu disse: ‘Não, eu vou participar da Assembleia Geral da ONU”, conta orgulhosa.
Apesar de ter sido eleita pelas colegas do projeto e já atuar em organizações sociais na sua cidade, Luiza não se considera uma líder. “Não me vejo como líder, não consigo me olhar no espelho assim. Me vejo como uma menina como as outras que vai lá para falar, e isso que é legal”.
Luiza junto com as meninas do projeto "Essa é a minha vez" da Plan International.

Luiza junto com as meninas do projeto “Essa é a minha vez” da Plan International.

Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.