Segundo os últimos dados de 2014, o Brasil conta com uma população de 579.7811 pessoas custodiadas no Sistema Penitenciário, sendo 37.380 mulheres e 542.401 homens. Em dez anos, o número de mulheres encarceradas no Brasil mais do que dobrou, chegando num aumento de 102%. O ritmo é muito superior ao dos homens – no mesmo período, o crescimento foi de 80% para os presidiários do sexo masculino.
O site mulheresemprisão é uma iniciativa que busca contribuir para a maior visibilidade do assunto e oferece referências para entender e defender a aplicação de medidas que visem ao desencarceramento feminino. Entre elas, uma petição endereçada à presidente Dilma pede, neste Dia das Mães, indulto/comutação para mulheres presas por tráfico de drogas. Clique aqui para assinar.

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crédito: mulheresemprisao.org


A maioria das mulheres presas é mãe e está longe dos seus filhos e dos seus lares. É provedora do lar e possui dependentes. Essas mulheres foram presas por diversos motivos, mas nem tão diversos assim: mais da metade delas por envolvimento com o comércio de drogas. De maneira geral, as mulheres presas hoje no Brasil faziam transporte ou comerciavam pequenas quantidades de drogas. Ou faziam consumo próprio.
Essas mulheres deveriam mesmo estar encarceradas?
Para pesquisadores, os dados são um reflexo de uma política que elegeu a guerra às drogas como estratégia primordial e têm como consequência um alto custo social: mais crianças longe das mães e mais mulheres sujeitas a problemas ligados ao encarceramento, como adoecimento e mortes violentas. Pior: todas as pesquisas sobre o tema, nacionais e estaduais, revelam como esse encarceramento é seletivo.  Veja o gráfico abaixo.
crédito: mulheresemprisao.org

Perfil das mulheres encarceradas | crédito: mulheresemprisao.org


 

Sobre a autora:

Mayara Penina

Mayara Penina

Mayara é jornalista e moradora do Campo Limpo, zona sul de São Paulo.