As eleições de 2022 estão se aproximando. Nos dias 2 e 30 de outubro os brasileiros vão às urnas para escolher presidente da República, governadores dos estados, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Em fevereiro foi registrado o menor número da história de adolescentes de 16 e 17 anos com título de eleitor, os quais têm voto facultativo. Nas eleições de 2020, esse grupo representou 0,7% da população com título de eleitor, enquanto nas votações de 2016 eram 1,61%. 

A partir dos dados desanimadores, influencers e artistas realizaram campanhas nas redes sociais pedindo que adolescentes tirassem seus títulos. Houve resultado: segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de eleitores jovens subiu 28% de fevereiro para março.

Para Raquel Franzim, diretora de Educação do Instituto Alana, organização que desenvolve projetos pensando na garantia de condições para a vivência plena da infância, os jovens não estão desanimados com a política, pelo contrário, estão apresentando diferentes maneiras de atuar nesse campo, para além da política partidária. “A gente vê um engajamento grande em ações tão relevantes quanto a votação”. 

“A participação nas eleições é uma das nossas maneiras de participar politicamente da vida, a gente pode participar também na escola, no território, na sociedade, nas artes, no mundo do trabalho, nos grupos identitários”, afirma. 

O Nós, mulheres da periferia conversou com quatro jovens que tiraram seus títulos de eleitor este ano para saber seus sentimentos em relação à política atual e expectativas com as eleições. Pensar no bem coletivo no momento de votar predominou em todas as respostas. 

Confira os relatos!

Lívia Maria Silva

Tem 18 anos e mora em Capanema, no Pará. Criou o projeto Levanta Jovem, com o objetivo de incentivar o protagonismo de jovens na região Norte. 

“Eu entendo que os jovens precisam ser ativos na política. Se a gente quer ser representado, que as nossas ações tenham impacto, se a gente quer ver a melhora da sociedade, realmente gerar uma mudança estrutural, a política é a melhor forma de fazer isso. Quando nós tiramos o título de eleitor, temos a oportunidade de tomar essa decisão, de participar. Eu estou com um sentimento de esperança que tomaremos decisões mais coerentes, que estejam de acordo com o melhor para o bem de todos. Mas eu entendo que vai ser um ano complexo por conta da polarização. Será um ano bem difícil com relação a comunicação de partidos diversos. Eu estou me preparando emocionalmente para tomar a melhor decisão, a mais racional e a que envolva o bem coletivo.”

 

Analice Russi

Tem 17 anos e mora em Heliópolis, na cidade de São Paulo (SP). Tirou seu título de eleitor em um mutirão realizado pelo projeto Observatório de Olho na Quebrada

“Eu tive vontade de tirar o título de eleitor  para poder participar mais da democracia do país, poder participar da escolha de quem vai dar as ordens no lugar onde eu moro. Insatisfação é a palavra certa para descrever a política do Brasil. Minhas expectativas são que com um estudo de plano de governo melhor dos candidatos, escolhermos um que realmente faça uma diferença, que tenha atos mais humanos”. 

Ana Carolina de Laria

Tem 18 anos e mora em Azenha, na cidade de Porto Alegre (RS).

“O que me motivou a fazer o título de eleitor foi o sentimento de ‘chegou aminha vez’ e de me sentir mais segura por conta de saber ter a responsabilidade. Também de não pensar só em mim, e sim em todos à minha volta. O meu sentimento em relação à política atual é um sentimento de cansada, é um sentimento de ‘bah’, sabe? Porque ver tudo que as pessoas estão passando e passaram por conta dessa política atual é desanimador, é triste. As minhas expectativas estão bem altas para as votações, eu estou apostando no bem, acreditando que dessa vez pode mudar para melhor”. 

 

Maria Eduarda de Laria

Tem 18 anos e mora em Azenha, na cidade de Porto Alegre (RS).

“O que mais me motivou [a tirar o título de eleitor] é a situação atual do governo. Alguns direitos estão sendo tirados dos cidadãos, muita falta de noção e empatia com pessoas de baixa renda familiar. Meu sentimento é de indignação. Algumas questões não me afetam diretamente, mas sei que a situação que nos encontramos hoje com o atual governo afeta muita gente, a maioria da população, pobres. Uma das minhas maiores expectativas é de que as pessoas saibam votar, não no que é melhor para elas, mas para toda sociedade. Que tenham muita empatia e certeza do seu voto.”


Reportagem publicada originalmente em Expresso na perifa