A Fundação Tide Setúbal está com inscrições para a 2 edição do edital “Traços”, em parceria com o Instituto Ibirapitanga, a Porticus, o Instituto Galo da Manhã e a Open Society. A iniciativa integra a Plataforma Alas – Apoio a Lideranças Negras e selecionará até 70 lideranças negras que receberão R$ 15 mil cada uma para o fortalecimento e o desenvolvimento de suas carreiras nos campos da política e da área jurídica.

As inscrições irão até 7 de novembro e podem ser realizadas na Plataforma Alas.  Estão aptas a participar do processo seletivo lideranças negras com idade acima de 21 anos, de origem periférica, que aspirem transformar e aprimorar suas competências e habilidades pessoais para revigorar e fortalecer suas atuações sociais, políticas e profissionais.

O“Traços” oferece recursos que poderão ser investidos em atividades que contribuam para suas trajetórias, como cursos preparatórios para concursos públicos em carreiras jurídicas, pós-graduações, pagamento de taxas de inscrição em exames para ingresso em carreiras jurídicas, intercâmbios, congressos e seminários, além de cursos de idiomas, oratória e cursos livres que abordem temáticas relacionadas à consolidação da democracia e à superação das desigualdades.

A partir da oportunidade de frequentarem mentorias em seu setor de atuação, o “Traços” também busca aprimorar nos selecionados a capacidade de se posicionar, comunicar e atuar como lideranças.

Segundo Viviane Soranso, coordenadora do Programa Raça e Gênero da Fundação, colaborar para incluir as pessoas negras de todo o país requer sair da pauta e ir para a prática.

“Raça e gênero são marcadores da sociedade que expressam muitas das nossas desigualdades estruturais e persistentes. Basta examinarmos estatísticas nacionais e ver o elevado número de negros vivendo em situação de mais desvantagem social, raramente ocupando espaços de decisão e poder, com suas potências sendo desperdiçadas. Esse cenário precisa ser mudado. E não basta discutir e pensar, é necessário ação, ou seja, incluir negros e negras de fato em diferentes espaços e posições”.

Para se inscrever no “Traços”, é preciso ter perfil de liderança e origem ou vivência periférica e apresentar uma carta de recomendação emitida pelos seus pares, parceiros institucionais, empresas, coletivos ou redes que reconheça sua trajetória e compromisso com as periferias urbanas brasileiras ou contextos periféricos urbanos e demonstrando sua experiência na liderança de processos, equipes e iniciativas na modalidade de atuação e categoria em que está se inscrevendo.

A inscrição também considerará os seguintes aspectos: na modalidade política institucional, serão beneficiados ativista com atuação em prol dos direitos e valores democráticos e que almejam ocupar cargo eletivo nos Poderes Executivo ou Legislativo.

Na modalidade carreira jurídica, devem ser graduados em direito que aspirem ingressar na carreira jurídica do setor público, nas funções de juiz, promotor de justiça defensor público, delegado de polícia ou procurador.

“O objetivo é qualificar essas pessoas para o exercício de liderança para que venham ocupar cargos de poder, decisão e influência, seja em espaços públicos ou privados”, diz a coordenadora de Raça e Gênero.

Coordenada pela equipe da Fundação Tide Setúbal, a seleção terá três fases seguidas: 1) Análise de perfil de lideranças, com preenchimento do formulário de inscrição, apresentação em vídeo, envio de duas cartas de recomendação e detalhamento do plano de desenvolvimento; 2) Entrevista 3) Decisão do comitê de avaliação e divulgação dos selecionados na segunda quinzena de dezembro.

Especialistas nas modalidades de atuação apresentadas no edital e que compõem o comitê de avaliação darão suas notas e pareceres sobre as propostas dos finalistas, a serem analisadas por um júri composto pela Fundação Tide Setubal e Instituto Ibirapitanga.

O edital teve sua primeira edição em 2020, realizada por meio de um projeto piloto chamado “Caminhos”, em que 31 lideranças negras foram selecionadas e receberam aporte financeiro de até R$ 15 mil reais cada.

É o caso da jovem Raquel Motta, beneficiada pela primeira edição. Moradora da zona norte de São Paulo, é fundadora e CEO do Sue The Real, um estúdio de jogos com foco na narrativa afro-brasileira.

“Tive suporte familiar para chegar até aqui e, em alguns momentos, até financeiro. O edital Caminhos trouxe possibilidades para o meu desenvolvimento e fortalecimento, aqui no negócio”.

 

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