No próximo domingo, dia 25 de julho, é celebrado o Dia da Mulher Negra Latino americana e Caribenha, em homenagem à líder quilombola Tereza de Benguela. Esta data é muito significativa para as mulheres negras, pois afirma seu valor e importância, além de ser também uma oportunidade de falar de suas lutas.

Nesta edição de dicas da semana, Nós apresentamos uma seleção de programações culturais em comemoração a esta data tão importante. Confira!

Marcha das Mulheres Negras

Inspirada pela frase “Eles combinaram de nos matar, mas a gente combinamos de não morrer”, da escritora Conceição Evaristo, a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo realiza uma série de atividades políticas e culturais, online e com intervenções de rua no domingo (25).

Pela segunda vez consecutiva, devido às medidas de restrição para conter a pandemia da Covid-19, o evento terá um formato híbrido, com uma programação transmitida ao vivo pela internet, além de faixaços e projeções pela cidade de São Paulo e em outros municípios.

Todas as ações se orientam pelo mote “Nem fome, nem tiro, nem Covid: Parem de nos matar! Fora Bolsonaro! Impeachment, já! Contra o racismo e o genocídio! Mulheres negras por vacina, moradia, comida, emprego e demarcação das terras quilombolas e indígenas! Por nós, por todas nós, pelo Bem Viver!”

A programação online será transmitida nas redes sociais (Facebook e Youtube) a partir das 16h. A abertura terá participação de lideranças religiosas, seguida de programação infantil e registros das intervenções e faixaços em diferentes pontos da capital, região metropolitana e Baixada Santista. Às 18h, haverá um debate sobre a história dos seis anos da Marcha das Mulheres Negras em Brasília.

Na sequência, às 19h30, será transmitida uma intervenção de rua, com projeções audiovisuais na parte externa da Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha. O encerramento acontecerá a partir das 20h com participação cultural do grupo SambaNegras em Marcha e Luana Hansen.

Mostra da Mulher Negra

Também em São Paulo está rolando a 7ª Mostra da Mulher Negra Afro Latina Americana e Caribenha, realizado pelo Coletivo Mulheres Pretas que movem Cidade Tiradentes como parte do Projeto “Cidade Tiradentes – Transatlânticos, lutas, memórias e resistência” da Coletiva Oyasis Mulheres Búfalo.

Com o tema “Bese Saka – Ancestralidade e Matriarcado na Diáspora Africana” o evento será transmitido no Facebook, propondo um espaço em comum para o resgate da resistência ancestral, a voz ativa do presente, e a construção de perspectivas futuras, além de abordar as intersecções de gênero e raça que impactam diretamente nos destinos dessas mulheres.

Nesta sexta, dia 23 de julho, às 19h, acontece a performance “Oxum”, seguida do seminário “Mulheres Pretas na Literatura”, com Lilia Guerra, Raquel Almeida e Jhenyffer Nascimento. Às 20h30 show com Lenna Bahule.

Sábado acontecem vivências do Projeto ILERA saúde e ancestralidade e contação de histórias com Cia Quatro Ventos Conta. Às 19h20, acontece o seminário “Afrofuturismo e funk”, com Juju da ZL, Renata Prado e Mc Tha.

No domingo, às 15h, será exibido o “Cê quer mentir pra preta velha?”, dirigido por Ellen Rio Branco e Lua Lucas. O encerramento da mostra acontece a partir das 18h e conta com a apresentação de dança “Vênus negra: um manual de como engolir o mundo”, com Zona Agbara. A programação completa está no evento da Mostra.

Filhas do vento

A partir de domingo (25), o coletivo Filhas do Vento, de Recife (PE), estreia uma série de vídeos com objetivo de contar a trajetória do grupo pernambucano ao longo dos seus cinco anos, e estimular o debate em torno de questões fundamentais do contexto social brasileiro a partir das vivências e expertise de mulheres negras.

O vídeo de estreia da série, “Aláfia: revoluções feministas negras”, apresenta as lutas feministas negras a partir da trajetória de algumas integrantes do coletivo. A série será lançada no Dia da Mulher Negra Latino americana e Caribenha e depois divulgada no site do grupo até 15 de agosto.

Coletivo Filhas do Vento

Do amor à cura

No domingo também as cineastas Camilia Izidio, Jessica Gonçalves e Karoline Maia lançam no Youtube “Do amor à cura”, um filme documentário de curta-metragem que apresenta três mulheres negras que narram como o amor afeta e cura as suas vidas.

O tema amor ganha protagonismo ao ser abordado como ferramenta de cura na vida de tantas mulheres negras brasileiras. Tal perspectiva é construída através da narrativa de uma família negra composta por avó, filha e neta que compartilham as suas histórias de dor, amor e cura ao longo de suas trajetórias.

O documentário, promovido pela SPCINE, se inspira no texto Vivendo de Amor, da educadora, escritora e ativista bell hooks, quem vem dedicando sua trajetória profissional à pesquisa de questões de raça, gênero e classe nos Estados Unidos.

Mulher negra: histórias negadas

Na semana que vem, a partir de quarta-feira, 28 de julho, a Festa Literária das Periferias – FLUP promove o ciclo “Mulheres Negras – uma história que nos negaram”, apresentando a história de mulheres que ajudaram a construir nosso país.

Conheça as Congadeiras de Goiás, as Rosalinas do Piauí, Laudelina de Campos Mello, Zacimba Gaba. Essas e outras mulheres de nosso passado serão apresentadas por mulheres do presente, que se conectaram através da oralidade, literatura, religião, cultura e mandaram avisar: nossos ancestrais têm nome e sobrenome.

Com curadoria de Thais Alves Marinho e Rosinalda Simoni, os encontros on-line acontecerão sempre no YouTube e Facebook da FLUP, entre 28 de julho e 1º de agosto.

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Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.