Giulia André tem 13 anos e ficou menstruada pela primeira vez aos 11. Neste dia, ganhou flores do pai e chocolate da mãe. Ela e sua mãe, Rosana André, contam para a jornalista Mayara Penina como o assunto menstruação é tratado com naturalidade e acolhimento na família.

“Aqui em casa sempre foi muito aberto, nunca teve muito tabu em relação à menstruação, tanto com a minha mãe, quanto com o meu pai. Eu sempre tive muita liberdade para falar: estou com cólica, me deixa mais no meu cantinho, estou menstruada”, conta Giulia.

O episódio 52 do podcast Conversa de Portão também traz depoimentos de ouvintes relembrando sua menarca e os sentimentos que permearam este momento, muitas vezes o medo e a vergonha. “Toda vez que eu tinha que trocar o absorvente, seja na minha própria casa ou até mesmo na escola, eu lembro que eu escondia à sete chaves pra ninguém ver o que eu estava indo fazer de tanta vergonha que eu acabei ficando”, compartilha a jornalista Dalila Ferreira.

De acordo com o estudo “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”,  publicado este ano pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a infância), 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio e mais de quatro milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

Chamado de pobreza menstrual, o fenômeno é afetado por outras variáveis envolvendo a desigualdade racial, social e de renda. Uma família com maior situação de vulnerabilidade e renda menor tende a dedicar uma fração menor de seu orçamento para itens de higiene menstrual, uma vez que a prioridade é a alimentação. De acordo com o estudo, a chance de uma menina negra não possuir acesso a banheiros é quase três vezes a chance de encontrarmos uma menina branca nas mesmas condições.

A dificuldade de acessar serviços e a pobreza menstrual podem ser fatores de estigma e discriminação, levando muitas vezes à evasão escolar. Dados da ONU apontam que, no Brasil e no mundo, uma em cada dez meninas falta às aulas durante o período menstrual. No Brasil, esse número é ainda maior: uma entre quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter absorventes.

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