Como você imagina que vai ser o futuro das tarefas de cuidado? Você acha que vai ser tudo automatizado? Onde as mulheres negras estarão? No segundo episódio da série Futurar, fomos a São Paulo e Pernambuco conversar com Luiza Batista, presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas, e com a doula e pedagoga Edite Neves para entender como o trabalho de cuidado das mulheres negras, dentro e fora de casa, move toda a sociedade: no passado, no presente e no futuro.

Se você viveu na década de 90, provavelmente viu aquele desenhos “Os Jetsons“, que mostrava uma família do futuro. A animação trazia uma realidade super tecnológica e, nela, quem cuidava das tarefas domésticas era uma robô. Isso mesmo, uma robô, no feminino. Curioso né? Pensar que até no imaginário de um futuro tecnológico, quem é responsável pelas tarefas de cuidado é uma figura feminina…

Mas voltando pra realidade: como você imagina que vai ser o futuro das tarefas de cuidado? Será que vai ser tudo automatizado? Depois de refletirmos sobre como será o futuro do meio ambiente no primeiro episódio dessa série, agora  vamos caminhar por Pernambuco e São Paulo para entender como o trabalho de cuidado das mulheres negras move toda a sociedade: no passado, no presente e no futuro. Vamos lá?

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Cozinhar, lavar, passar, amamentar…. Essas atividades, entre várias outras, são invisíveis para a sociedade, mas são elas que garantem o crescimento da economia de qualquer país do mundo. Afinal, qualquer pessoa que produz riquezas teve alguém que garantiu seus cuidados da infância à fase adulta. Esse trabalho não visto equivale a pelo menos 11% do PIB (Produto Interno Brasileiro), que é a soma de todas as riquezas do país.

O cuidado exercido principalmente por mulheres gera mais riqueza ao país do que a indústria de transformação e a agropecuária, como mostra a ONG Think Olga em levantamento realizado em 2020. Ou seja, o mundo e toda a economia tradicional não se sustentariam sem o trabalho cotidiano dessas mulheres. Mesmo assim, essas atividades são desvalorizadas e não remuneradas, o que no Brasil se conecta profundamente ao resquício da escravidão e ao machismo enraizado em nossa sociedade.

A pandemia fez com que serviços essenciais de cuidado se tornassem visíveis aos olhos de muitas pessoas pela primeira vez na vida. Para algumas, o isolamento trouxe a experiência inédita de lidar com os cuidados das crianças, idosos ou pessoas doentes, e com atividades domésticas de forma intensa, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Segundo a pesquisa “O trabalho e a vida das mulheres na pandemia”, desenvolvida pelas organizações Gênero e Número e SempreViva Organização Feminista, 50% das mulheres brasileiras passaram a se responsabilizar pelo cuidado de alguém durante a pandemia.

A crise sanitária também acentuou as desigualdades sociais e a doença trazida por gente rica, atingiu principalmente mulheres que trabalham cuidando de outras famílias. A primeira pessoa a morrer por coronavírus no Rio de Janeiro foi uma empregada doméstica, Cleonice Gonçalves, uma mulher negra de 63 anos, cuja patroa contraiu a COVID-19 após uma viagem à Itália, mas não dispensou a funcionária.

Esse foi o 2º episódio da série especial Futurar, uma parceria Conversa de Portão e Revista AzMina e faz parte de Narremos a Utopia, uma iniciativa de Puentes para imaginar um futuro feminista, interseccional e inspirador.

O Conversa de Portão é um podcast produzido pelo Nós, mulheres da periferia em parceria com o UOL plural, um projeto colaborativo do UOL com coletivos e veículos independentes. Semanalmente, nós ouvimos a  história, opinião ou análise de mulheres sobre assuntos que são importantes para nós.

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