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Aysha Nascimento, idealizadora e integrante do Coletivo Negro | Divulgação


‘IDA’, nova peça do Coletivo Negro, traz duas atrizes em cena e convida o público a dialogar e traçar pontos e contra-pontos para a reconstrução da humanidade das mulheres negras. Além do palco, nos bastidores a equipe é composta também por mulheres pretas, que lideram e ocupam posições que vão desde a dramaturgia até a assessoria de imprensa.
A estreia ocorreu na última quinta-feira, 2 de junho, e ficará em cartaz até o próximo dia 12 na Casa de Teatro Maria José Carvalho, sede da companhia de teatro Heliópolis, no Ipiranga.
Aysha Nascimento, atriz integrante do Coletivo Negro e idealizadora da proposta, e Verônica Santos, atriz e bailarina, dão vida a uma mulher jovem arquiteta. A partir da construção de um projeto arquitetônico ousado, ela reconecta-se com momentos de invisibilidade vividos na universidade. O espetáculo reflete ainda sobre o racismo estrutural do Brasil e a sistêmica predefinição de lugares historicamente atribuídos às mulheres negras na sociedade. Diante de conflitos, a personagem busca a reconstrução de sua identidade a partir da reaproximação com a ancestralidade e os legados do feminismo negro.
“O projeto nasce do desejo de compartilhar a criação desse experimento com outras artistas negras que admiro, são mulheres militantes e que fazem de sua arte um meio de expressão e desconstrução do machismo e do racismo. Não foi e não é fácil se deparar com tantos conflitos e com a imposição de lugares que insistem em determinar para nós, mulheres negras”, aponta Aysha.
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Aysha Nascimento e Verônica Santos em cena | Divulgação




A dramaturgia é de Renata Martins, cineasta e idealizado da websérie Empoderadas. A cenografia foi liderada por Nina Vieira, fotógrafa, artista visual e co-fundadora do coletivo Manifesto Crespo. O figurino foi desenvolvido por Débora Marçal, atriz, integrante da companhia de teatro Capulanas de Artes Negras e co-criadora da marca de acessórios Preta Rainha. Na direção musical está Dani Nega, atriz e MC. Ana Goes está em cena na guitarra e saxofone ao lado de Fefê Camilo, na percussão. A iluminação é assinada por Dani Meirelles, fotógrafa. A assistência de direção e assessoria de imprensa é de Maitê Freitas, jornalista e atriz.
O coletivo realizou três encontros com mulheres negras de todos os segmentos sociais, políticos e culturais. Entre elas está Djamila Ribeiro, filósofa e atual Secretária Adjunta dos Direitos Humanos, Maria Lucia da Silva e Clélia Prestes, psicólogas. O único homem presente no processo é Flávio Rodrigues, responsável pela direção geral, desafiado a traduzir em teatralidade o texto contudente da cineasta e provocadora Renata Martins.
O espetáculo é um hibrido de teatro e jazz. No cenário, Nina Vieira reutilizou madeira de paletes para criar um ambiente concreto e sofisticado, com planos, contra¬planos e estruturas para que a jornada de ‘Ida’ possa ser narrada e dançada pelas atrizes.
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Crédito: Divulgação


“É sempre muito rico experimentar e exercitar a cenografia e o fazer artístico ao lado de profissionais mulheres e negras, este é meu segundo trabalho no teatro. No final da primeira apresentação, ver o cenário ganhar vida junto com a iluminação, projeção e movimentação das atrizes foi uma satisfação enorme, principalmente por perceber que conseguimos atingir positivamente o público com o nosso trabalho”, contou Nina Vieira sobre sua experiência e a sensação na estreia.
O Coletivo Negro, grupo de atores, pesquisadores e criadores formados pela Escola Livre de Teatro de Santo André e da Escola de Arte Dramática da USP, nasceu em 2008 e se caracteriza pela pesquisa cênica e poética com recorte racial. Ainda neste ano, houve o lançamento da peça ‘Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Lobos’, inspirada nas obras dos Racionais Mc’s. Com direção, dramaturgia e atuação de Jé Oliveira, a proposta é investigar a construção da masculinidade negra na periferia.
Serviço
IDA, do Coletivo Negro
*Entrada gratuita |60 lugares, – ingressos distribuídos 1h antes
Local: Casa de Teatro Maria José Carvalho
Rua Silva Bueno 1523 (próximo ao metrô Sacomã)
Em cartaz de 2 a 12 de junho.
Quinta a sábado às 21h e domingo às 19h
* Texto em colaboração com Maitê Freitas. 

Sobre a autora:

Semayat S. Oliveira

Semayat Oliveira, jornalista e escritora. Nascida no Jardim Miriam, zona sul de São Paulo

Comentários

  1. Por acaso consultei a programação do dia 08/04/17 do teatro Zanoni Ferrite, que esta localizado na vila Formosa zona leste de SP, e fui mais uma vez acompanhado de minha esposa e filha, assistir aos eventos que a casa apresenta, pois como músico e cantor adoro ver e ouvir arte. Me surpreendi com a alta qualidade do espetáculo apresentado por esse grupo, tudo me fascinou, desde o texto, interpretação, expressão corporal, trilha sonora, exatamente tudooooooooo. #Amei, queria ser um polvo para ter aplaudido com meus 8 braços…. #Recomendo.

  2. Gostaria de saber se essa peça terá alguma reapresentação em São Paulo ou cidades vizinhas.

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