Assim como no Brasil, 2022 é ano de eleições presidenciais na Colômbia. No país vizinho, o primeiro turno deve ocorrer em maio. Entre os candidatos está Francia Márquez, primeira mulher negra candidata à presidência colombiana.

Francia Márquez tem quarenta anos, é ativista ambiental e dos direitos humanos e nasceu em Yolombó, município na Colômbia. Em 2015, recebeu o Prêmio Nacional de Defensores de Direitos Humanos da Colômbia e em 2018, ganhou o Prêmio Ambiental Goldman após liderar uma marcha de 80 mulheres contra o garimpo ilegal em suas comunidades. Além disso, esteve entre as 100 mulheres mais influentes do mundo em 2019, em lista anual publicada pela BBC, corporação britânica de rádio e televisão.

Para a educadora, jornalista e escritora Anielle Franco, a candidatura de Francia Márquez é um marco para toda América Latina. “Traz a esperança de ver uma campanha liderada por uma mulher preta com uma história extremamente marcante e forte, demonstrando que a gente também pode, a gente também poderia ter várias Francias em todos os países da América Latina, em todas as cidades e estados concorrendo a cargos importantes”, disse ao Nós, em conversa no WhatsApp mediada pelo assessor de imprensa.

Anielle, fundadora e diretora do Instituto Marielle Franco, integra uma comitiva de organizações do movimento negro que realizou uma viagem de 10 dias para Colômbia e Chile. O objetivo é fazer conexões com atores políticos e movimentos desses países, em meio a uma onda progressista na América Latina. Representantes da Casa Sueli Carneiro, Movimento Mulheres Negras Decidem, Uneafro Brasil e Instituto de Referência Negra Peregum também compõem a comitiva.

A jornalista revela que foi impactante a experiência de ver ver o movimento de mulheres negras colombianas apoiando a candidatura de Francia Márquez. Para ela, esta base de mulheres tem fortalecido e dado confiança à candidata. “É um movimento feito coletivamente”. 

Francia Márquez

Francia Márquez é a primeira mulher negra candidata à presidência colombiana.

Crédito: divulgação

“Traz a esperança de ver uma campanha liderada por uma mulher preta com uma história extremamente marcante e forte, demonstrando que a gente também pode, a gente também poderia ter várias Francias em todos os países da América Latina, em todas as cidades e estados concorrendo a cargos importantes”

Além da atuação na política, movimentos de mulheres na Colômbia também foram decisivos na descriminalização do aborto, que foi definida no dia 21 de fevereiro desse ano pela Corte Constitucional. No país o aborto não é mais considerado crime até 24 semanas de gestação. 

A comitiva também foi ao Chile e marcou presença na posse do presidente Gabriel Boric, presidente mais jovem do país, com 35 anos. O ex-líder estudantil, da coalizão de esquerda Apruebo Dignidad, foi eleito presidente após derrotar, no segundo turno, o candidato da direita José Antonio Kast, de 55 anos, da Frente Social Cristiana, conhecido por suas posições mais próximas ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Para Anielle, a América Latina vive atualmente um protagonismo das mulheres negras na política.

“A gente está adentrando espaços, chegando a lugares jamais imaginados que nós chegaríamos”. 

Temas: