Em 2018, a atriz Tertulina Alves retornou à Macaúbas, município localizado no interior da Bahia onde passou parte de sua infância, para dialogar com mulheres que vivem na região e experimentam de diferentes formas as condições do sertão nordestino.

Os relatos foram unidos à história da própria Tertulina e se transformaram na peça “Sertão Sem Fim”, que está em cartaz até o dia 22 de fevereiro, sexta-feira, 19h, no Teatro Sérgio Cardoso, Bela Vista, em São Paulo. A dramaturgia é de Rudinei Borges dos Santos e a direção é de Donizeti Mazonas.

Sertão sem fim e o corpo da mulher

Sertão Sem Fim faz o cruzamento da história de três mulheres da comunidade de Três Outeiros de Macaúbas na Bahia: Maria Tertulina, sua neta Tertulina Alves e Maria Izabel, conhecida na região como a rainha das cavalgadas. Desse cruzamento nasce a narrativa mito-poética sobre Sebastiana (Bastia). Bastia foi encontrada recém-nascida num curral, no povoado do Arraial de Via Crucis, onde passou a infância. Conheceu as agruras da seca. Aprendeu a lidar com a terra para garantir o sustento, a própria dignidade e independência. Frequentadora das cavalgadas desde menina, Bastia é a amazona mais conhecida da região. Conhece Dom Sálvio nas cavalgadas, casa-se com ele e tem sete filhos. Trabalhavam duramente para cultivar a terra em longos períodos de estiagem. A prosperidade do casal torna-se motivo de inveja e Dom Sálvio é covardemente assassinado por fazendeiros da região. Montada em seu cavalo, Bastia percorre a cercania com o corpo morto do marido, em busca de justiça.

A montagem se afasta do regionalismo e aproxima questões do sertão nordestino ao corpo de uma mulher que luta diariamente por sua dignidade enquanto enfrenta inúmeras injustiças e dificuldades.

 

Galeria

O corpo tem um lugar fundamental no processo de criação de Sertão Sem Fim. Donizeti Mazonas, artista com ampla experiência em dança e teatro, foi convidado para assumir a direção da peça e sugeriu, desde o início, propostas que não caíssem em regionalismos ou visões estereotipadas sobre o Nordeste e o sertão.

“Nossa questão foi olhar para o universo dessa mulher, nas suas questões que incluíam a falta de chuva, as desigualdades, a dificuldade de construir seu espaço no mundo e as injustiças”, diz Donizeti, complementando que a peça traz o sertão pra dentro da personagem, como se ele fosse também seu corpo. “O texto vem de um espectro de narrativa muito poética, o que ajudou a pensarmos na Bastia como o próprio sertão, sendo ela uma tradução da chuva, da aridez e da natureza”.

A peça teve o espaço cênico pensado pelo artista plástico Eliseu Weide e, com poucos objetos a vista, tem a síntese como premissa. “Os elementos são bastante sintéticos para se dar a vastidão e a multiplicidade do que pode ser o sertão”, explica Donizeti Mazonas.

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Espetáculo Sertão Sem Fim

Sex 05/02/2021 até Seg 22/02/2021

Teatro Sérgio Cardoso

R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista - 01326-010 - São Paulo - SP

Observações: Toda a verba arrecadada será doada para a ONG Casa de Isabel |Capacidade reduzida: Até 50 espectadores Duração: 60 min. | Classificação: Livre | Ingressos*: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Mais informações: http://www.teatrosergiocardoso.org.br/events/sertao-sem-fim/

As informações acima são de responsabilidade do organizador do evento e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

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