Sabemos que os jovens das periferias são o público alvo do encarceramento. Nossos filhos, netos, sobrinhos. São os meninos e meninas pobres que são rotulados de “menores” e não de “adolescentes”.

Deles, o Estado retira os direitos básicos de educação, saúde, cultura. Eles, que desde cedo perdem a infância e tem que assumir a maioridade para o trabalho. E que são mais vulneráveis e se tornam reféns do crime organizado. Enquanto Nós, mulheres da periferia, cuidamos do filho de quem vota a favor da redução, nossos filhos aprendem uma independência forçada. 

Nosso coletivo entende que a redução da maioridade penal fere os princípios da legislação, da constituição brasileira e compromete nossa democracia.

A redução da maioridade penal é uma derrota para o Brasil. É a institucionalização de mais uma medida para que o racismo e o descaso continuem prendendo e matando sonhos e perspectivas da juventude negra e periférica. 

A redução da maioridade penal é uma derrota para o Brasil. É a afirmação da incapacidade do país e seus dirigentes em trabalhar a ausência da educação, da distribuição de renda e a declaração da manutenção do apartheid em nossa sociedade.

Pensar a reclusão é mais fácil do que pensar a reintegração?

Nossa juventude quer viver! Precisamos acreditar e dar oportunidades a ela!

Mães de Maior

Mães de Maio