A espiritualidade branca e colonizada não é o único caminho

Este primeiro texto de 2023 tem como objetivo te fazer pensar e questionar a espiritualidade que sempre acreditou.

Por Pam Ribeiro

15|03|2023

Alterado em 16|03|2023

Olá! Eu gostaria de me apresentar novamente para vocês que sempre me acompanharam aqui trazendo previsões astrológicas e tarológicas. Este ano, faremos um pouco diferente, então deixe-me dizer quem sou.

Meu nome é Pam Ribeiro e sou astróloga, taróloga, terapeuta alternativa, estudante de pssicanálise e facilitadora de consciência erótica. Criei o canal A Bruxa Preta, em que falo sobre espiritualidade, transgressão, bruxaria marginal e urbana.  Trarei reflexões sobre esses temas, para que possamos, juntas, construir uma nova narrativa, ou ao menos nos sentirmos menos inadequadas quando pensamos em espiritualidade.

Comecei a tratar sobre isso em 2019, e minha reflexão sempre foi baseada no pensamento de espiritualidade decolonial. Como uma pessoa preta no meio, entendi que éramos a “minoria” e me incomodava a positividade tóxica que vemos por aí. Hoje, percebo a importância de voltarmos a pautar essas reflexões, pois é conveniente para a branquitude espiritualista que fiquemos em silêncio.

Em primeiro lugar, é importante que você entenda o que é o pensamento decolonial. A perspectiva decolonial reconhece que a história, a linguagem, a cultura, a economia e a política, ou seja, todo o sistema, foram moldadas pelo colonialismo e que, para criar uma sociedade mais justa e equitativa, é necessário desafiar e mudar essas estruturas de poder.

Quando falo da relação da decolonialidade com a espiritualidade, quero dizer que a espiritualidade decolonial busca resgatar, reconhecer e valorizar as tradições e saberes espirituais das culturas e povos que foram colonizados e marginalizados. 

Sendo assim, ela busca romper com a imposição de sistemas de crenças e práticas religiosas de origem europeia e cristã, que foram impostos aos povos colonizados, muitas vezes com o objetivo de justificar e manter o poder colonial.

Este primeiro texto de 2023 tem como objetivo te fazer pensar e questionar a espiritualidade que sempre acreditou. Muitas vezes, essa espiritualidade vem disfarçada de uma evolução espiritual, mas, nos coloca distantes de nós mesmos e nem ao menos é democrática.

Entre rodas de sagrado feminino que espalham ideias transfóbicas e retiros que custam valores exacerbados com promessas infundadas, podemos entender que a partir desses, temos os resquícios de uma cultura de apagamento e apropriação de tecnologias ancestrais disfarçadas de cura eterna, mas nada mais são do que abuso espiritual.

Gosto de dar nome aos bois e, por este motivo, penso que você não deve se sentir inadequada quando confrontada com os estigmas que foram construídos em cima do que realmente seria espiritualidade.

As interferências são inúmeras, mas nem de longe seu caminho, ainda que marginalizado, está errado ou precisa se adequar a tais construções.

Portanto, que possamos reavaliar o que estamos pautando dentro desse sentido, para que, assim, criemos uma narrativa que respeite a subjetividade espiritual de cada um, que promova uma transformação pessoal, e consequentemente, social.