Evento acontece de 25 de agosto a 3 de setembro com mais de 90 atrações em 17 territórios da cidade de São Paulo
O Encontro Estéticas das Periferias chega à sua sétima edição com programação que manifesta a coletividade como ferramenta de transformação dos territórios em polos não só de cultura e arte, mas também como forma de repensar as relações das pessoas, das comunidades. Englobará formas diversas de compreender o mundo e pressupõe o diálogo e o encontro entre diferentes saberes e afetos para a construção de comunidades ampliadas.
Entendendo que as periferias apresentam formas de resistência e alternativas coletivas, os territórios apostam em circuitos econômicos comunitários, desafiando a lógica competitiva e individualista das grandes cidades. Além disso, fomentam a criação e a atuação por meio de redes, indo contra a destruição de laços coletivos, e trazendo a discussão de direito à cidade e de cidades colaborativas a partir de suas experiências teóricas e práticas, que se vivenciam no cotidiano e nos apontam outras formas de relacionar-se e de fazer política.
Apoiar diferentes maneiras de ver o mundo e buscar o fortalecimento das relações comunitárias são ações que reforçam um dos elementos que está na essência do Estéticas: o pensar e o fazer em conjunto para mobilizar pessoas e projetar o que já está sendo produzido nas quebradas.
De 25 de agosto a 3 de setembro, o evento exaltará a produção das periferias com mais de 100 atividades espalhadas por 17 territórios da cidade. As atrações são pensadas de forma conjunta por meio de uma curadoria coletiva, formada por mais de 30 coletivos de todas as zonas de São Paulo – norte, sul, leste e oeste – que se reúnem de maneira voluntária para organizar a programação.
Idealizado pela Ação Educativa, o Estéticas das Periferias chega à sua sétima edição, mobilizando inúmeros espaços culturais em todas as áreas dos fundões da capital paulistana por uma semana. O fazer artístico permeia toda a programação que é construída colaborativamente por mais de 30 coletivos culturais. Os números somam, desde a primeira edição, cerca de 450 apresentações artísticas, 145 debates, mais de 150 espaços culturais e um público estimado em mais de 83 mil pessoas.
Em 2017, o Estéticas das Periferias será patrocinado pela primeira vez: a Oi e a Jontex são as patrocinadoras oficiais do evento por meio do ProAC-ICMS, além de contar com apoio de diversos parceiros, entre eles a Via Varejo, que apoiou o Estéticas em outras edições.
Abertura
A abertura do Estéticas das Periferias acontece nesta sexta-feira, 25 de agosto, e apresenta o debate “Ocupações e política cultural: conflito e negociação” e o espetáculo SLAM! Eu, tu, nós, VOZ! no Auditório Ibirapuera. Ambas as atividades têm entrada gratuita.
Com direção de Roberta Estrela D’Alva – atriz-MC – SLAM! Eu, tu, nós, VOZ! reúne os maiores nomes da cena de São Paulo, como Mel Duarte e Luz Ribeiro, para trazer ao palco o universo dos poetry slams, batalhas de poesia que surgiram nos anos 80 nos Estados Unidos, e estão presentes no Brasil desde 2008, ganhando, cada vez mais, destaque entre o público jovem e periférico. Ao todo, 21 poetas farão o espetáculo-performance que começa às 20h. Os ingressos serão distribuídos a partir das 18h30.

slam estéticas

Slam apresentará espetáculo de poesia (Divulgação)


Antes do espetáculo, às 17h, acontece uma roda de conversa, no foyer, sobre como as ocupações culturais podem aumentar a oferta e o acesso à cultura na cidade e como pautam o poder público em suas ações. Com a mediação de Américo Córdula, participarão do debate: Alice Bayili (ONG África do Coração), Alex Assunção e Wanessa Sabbath (Casa Amarela), Bruno Ramos (Liga do Funk), Emerson Alcalde (Slam da Guilhermina), Maria do Rosário Ramalho (Ex-Secretária de Cultura da cidade de São Paulo) e Renata Prado (Festa Batekoo).
Feiras de economia solidária, shows, peças de teatro, oficinas, saraus, graffiti entre outras formas de arte movimentarão as periferias de São Paulo, gratuita e simultaneamente, por 10 dias.
A zona norte, por exemplo, vai incentivar a produção artesanal local com duas feiras empreendedoras: na Cachoeirinha, pelo II Ocupa ZN, dia 2, às 10h; e, na Brasilândia, dia 3, às 14h. A festa Blackyard, na Vila Guilherme, dia 2, às 19h, reúne artistas e ativistas, embalados em ritmos da cultura negra, para estabelecer laços entre projetos e comunidades diferentes em um espaço de coworking.
Em Ermelino, zona leste, a produção audiovisual coletiva das mulheres é celebrada no Cine Hip Hop Mulher, dia 1, às 19h. Dia 2, às 15h, as Amigas do Samba realizam um Sarau para incluir idosos no circuito cultural em uma casa de acolhimento nos Campos Elíseos.
Na Brasilândia, zona norte, o Coletivo Água Preta monta o sound system dia 26, às 14h; e, na Cachoeirinha, o som é comandado pelo Quilombo Hi-Fi, dia 2. Já na Sul, dia 27, às 13h, o Sound System Graffiti percorre becos e vielas levando cor e música para a região da Pedreira.
Todas as atrações são resultado da força da ação coletiva para transformar os territórios e apresentar perspectivas diversas de futuro pautadas pelo bem-estar das pessoas nas quebradas. A programação completa pode ser encontrada no site e Facebook do evento.
Mulheres tomam conta
Durante o Encontro, acontece no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, no centro de São Paulo, um ciclo de debates, que na edição 2017 terá como tema a presença da mulher na cultura da periferia. Entre os dias 29 e 31 de agosto, as mesas pretendem enfatizar a produção cultural feminina, evidenciando as novas formas de expressão e produção cultural decorrentes da ampliação da presença das mulheres na cena cultural da periferia de São Paulo.
A questão de gênero estará no centro dos debates. Dentre as discussões estará o universo trans e suas contribuições com novas formas de se pensar e produzir nas artes. A dimensão racial ocupa um lugar de destaque também dado o perfil da maior parte das debatedoras que afirmam sua condição de mulher negra, explorando esteticamente essa identidade.
Slam das Minas Sp | Divulgação

Slam das Minas Sp | Divulgação


No dia 29 o tema será Mulheres no Funk: protagonismo e autonomia, com Renata Prado e MC Dricka, dia 30, Gênero e sexualidade em discussão: resistências e avanços, com Linn da Quebrada e Tiely Queen, e dia 31, Slam: as mulheres dominam a cena, com Luz Ribeiro e Mel Duarte.
As atividades acontecem das 16h30 às 18h30. As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. Para mais informações, acesse o site do Sesc.
Nós, Carolinas
Renata Ellen Ribeiro é moradora de Perus e personagem do documentário Nós, Carolinas (Créditos Vinicius Broppê)

Renata Ellen Ribeiro é moradora de Perus e personagem do documentário Nós, Carolinas (Créditos Vinicius Broppê)


Dentro da programação do festival, o documentário Nós, Carolinas, realizado pelo coletivo Nós, mulheres da periferia será exibido no dia 1º de setembro, às 19h, na Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37 – Paraíso).  O documentário apresenta vivências de mulheres moradoras de quatro regiões diferentes da capital paulista. Na ocasião também acontecerá a exibição do curta “Dara – A primeira vez que fui ao céu”, adaptação cinematográfica do conto homônimo de Elizandra Souza dirigido por Renato Cândido, que conta a história de uma garota negra da região rural de Nova Sucre/BA.

Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.