Promover a produção cinematográfica das mulheres brasileiras. Esse é um dos objetivos da 2ª Mostra de Cinema da Mulher que acontece no município de Franco da Rocha (Grande São Paulo), de 17 a 19 de fevereiro. Organizada pelo coletivo Baciada das Mulheres do Juquery, o evento irá trazer nove filmes que tratam sobre questões femininas nos dias atuais.
As obras são de diferentes cantos do Brasil, como São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio de Janeiro e uma produção também do Senegal. Completamente gratuita, a programação acontece na Biblioteca Municipal, que fica ao lado da Junta Militar, na Avenida dos Coqueiros, s/n.

cena do filme iluminadas

Cena do filme Iluminadas | Divulgação


Confira a programação completa
Dia 17 de fevereiro, sexta-feira | 18h30 
Performance com As Convictas – Ribeirão Preto-SP / Convictas sem culpa/ Uma carta pra ela
Exibição dos filmes | 20h
Iluminadas – Recife-PE | Documentário – Gabi Saegesser
Distinto Maternal – Natal-RN | Documentário – Sylara Silvério
Lúcida – Itaquaquecetuba-SP | Drama – Caroline Neves e Fabio Rodrigo
Debates pós filmes

Dia 18 de fevereiro, sábado | 16h 
Oficina “Caminhos para uma descolonização corporal”
As Convictas | Valor sugerido para contribuição: R$10,00
Exibição dos filmes | 20h
Cicatrizes – São Paulo-SP | Documentário – Direção coletiva
½ kg – São Paulo-SP | Drama – Andrea Mendonça
Deusa – São Paulo-SP | Drama – Bruna Calegari
Debates pós filmes
Dia 19 de fevereiro, domingo | Exibição dos Filmes | 18h
Autopsia – Rio de Janeiro-RJ | Experimental – Mariana Barreiros (Indicação etária: 14 anos)
Afrodites – Juiz de Fora-MG | Documentário – Renata Dorea (Indicação etária: 16 anos)
Talaatay Nder – Saint Louis – Senegal | Documentário – Chantal Durpoix
Debates pós filmes
Encerramento |20h
Cabarelas e As Convictas
“Atuar como coletivo periférico é um ato de ousadia”
Criado em agosto de 2015, o coletivo é formado por seis mulheres moradoras da região, que identificaram a falta de espaços para discutir as opressões que ainda hoje persistem em suas vidas e de suas iguais. “Tínhamos que nos retirar de nossa realidade para nos fortalecer enquanto mulheres, nos deslocando até o centro da cidade de São Paulo e nos depararmos com outras vivências que não contemplavam a nossa periferia”.
O grupo, então, passou a se reunir para a leitura de textos, quando perceberam a necessidade de criar uma coletivo que, para além do entendimento sobre o feminismo, também apoiasse mulheres que enfrentam ou já passaram por vivências abusivas. Hoje, se reúnem quinzenalmente e, em 2015, uma ação com colagem de lambe-lambe sobre a temática feminista em praças, pontos de ônibus e nos postes da cidade de Franco da Rocha aumentou ainda mais a vontade de se conectar às suas iguais.
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Cena do filme Talaatay Nder – Saint Louis | Divulgação


“Queremos nos apropriar da nossa região e nos impor como mulheres aqui, onde o machismo está tão impregnado e precisa ser discutido também. No geral, as periferias de São Paulo são muito violentas e o índice de violência contra as mulheres só aumenta, queremos mudar essa história. Atuar como um coletivo feminista periférico em Franco da Rocha é um ato de ousadia, queremos romper com esse ciclo infinito que afeta as mulheres que vivem nessas regiões invisibilizadas pela grande Metrópole”, aponta Mariana Moura, uma das co-fundadoras do coletivo.