A partir dessa segunda-feira, 5 de março, até o dia 25, acontece em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, a campanha “21 dias de ativismo pelo fim do racismo e da violência contra a mulher”, uma iniciativa de coletivos, organizações não governamentais, núcleos, comunidades e ativistas que compõem a Articulação Mogi sem racismo e sem violência contra a mulher.

Esta é a primeira vez que a articulação realiza o evento na cidade, que prevê ações simultâneas de divulgação e mobilização política e social em defesa de uma sociedade mais democrática, igualitária e que respeito às diferenças. A programação é composta por debates, atividades culturais e intervenções, que acontecerão durante os 21 dias. Toda a programação é aberta ao público.

Compõem a Articulação Mogi sem racismo e sem violência contra a mulher a Associação Cultural Casarão da Mariquinha, APEOSP, Coletivo Capitu, Coletivo Materno, Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Vila Industrial; Impacto Feminista; ONG Makaúba, ONG Recomeçar, Fórum de Mulheres “Filhas da Luta”, Unegro/Coletivo Aos pés do Baobá.

Campanha 21 dias de ativismo pelo fim do racismo e da violência contra a mulher

Crédito: Divulgação

A programação se inicia hoje com o debate “Gênero, violência e educação”, no Teatro Manoel Bezerra de Melo, na Universidade de Mogi das Cruzes- UMC.  A UMC fica ao lado da estação Estudantes da CPTM.

O evento conta com a participação de Mercedes Guarnieri, psicóloga, pedagoga e representante do Conselho Regional de Psicologia-SP, Denise Evangelista, Coordenadora da ONG Recomeçar, Márcia Cunha, representante do Fórum de Mulheres Filhas da Luta, professora de História e mestre em Ensino, História e Filosofia da Ciência e mediação de Tatiana Platzer, Coordenadora do Curso de Pedagogia da UMC.

Também na UMC, no dia 19 de março, às 17h o documentário Nós, Carolinas,produzido pelo Nós, mulheres da periferia, será exibido na programação Cinema em Debate e, às 19h30, Lívia Lima, jornalista e integrante do coletivo, participará do “Papo Reto: Mulheres, racismo e desigualdades na mídia”,  integrando a programação dos 21 dias da campanha.

O encerramento acontecerá no dia 25 de março com o “Samba-Manifesto: Existo porque Resisto”, evento que visa arrecadar fundos para a ONG Recomeçar, única instituição da cidade que abriga mulheres (acompanhadas de seus filhos) vítimas da violência de gênero e ameaçadas de morte.

Devido às dificuldades financeiras crescentes, a ONG está prestes a encerrar as atividades do abrigo, o que representaria grave ameaça às vidas dessas mulheres. Mogi das Cruzes é o quinto município do Estado de São Paulo onde mais mulheres são mortas, segundo dados do Mapa da Violência de 2015.

A jornalista e ativista Mara Vidal, uma das idealizadoras da campanha, lembra que o racismo estrutural e a violência afetam, de maneira mais profunda, as mulheres negras. “Nos afetam pelos estereótipos ligados aos trabalhos com menor valor de remuneração e mais precários, pelo lugar periférico que a maioria da população negra ocupa, pela negação de memórias ancestrais, pela educação racista e sexista, pelo racismo religioso, enfim, em todas as dimensões da vida”, destaca ela.

Neste dia também será lançado um Manifesto pelo Fim do Racismo e da Violência contra a Mulher. O documento será construído a partir das contribuições que emergirão dos diálogos realizados durante os 21 dias da campanha.

O “Samba-Manifesto: Existo porque Resisto” começa às 11h, com uma feijoada na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Vila Industrial, e contará com a participação de diversas cantoras, compositoras, instrumentistas, artistas e ativistas que apoiam o movimento pelo fim do racismo e da violência de gênero.

Para mais informações e agenda completa, acesse a página da campanha.

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Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.

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