Imperdível para todos que se interessam pelas muitas cidades dentro de São Paulo, e pelos personagens revolucionários que nela habitam e atuam, Visionários da Quebrada, dirigido pelas realizadoras estreantes Ana Carolina Martins e Maria Clara Magalhães, estreia nas telonas no início de julho.

A partir de uma abordagem original e orgânica, conduzem o espectador por vielas, becos, praças e encostas até os 10 personagens retratados: empreendedores sociais que realizam projetos transformadores nas extremidades de São Paulo e também no centro, ligados a temas pouco associados às periferias, como dança contemporânea, gastronomia e alimentação saudável, moda, arte, teatro e mais.

“As populações periféricas têm pouca, ou quase nenhuma, visibilidade e protagonismo quando os assuntos são os problemas sociais que enfrentam. Há muito recurso sendo movimentado na área social, mas quase nada é direcionado a este público. E quando há essa inclusão, é exigido de nós uma grande adequação para formatos e burocracias impostos pelo setor, o que distancia e inviabiliza ainda mais o acesso para novos atores”, explica Ana Carolina Martins.

“Nosso propósito é compreender como as periferias estão movendo transformações em suas comunidades, disseminando novas práticas e saberes, revelando novas referências e dados que podem influenciar a forma de realizar investimento social. É um convite para atravessarmos as pontes que já estão construídas”, convoca Maria Clara Magalhães.

VISIONÁRIOS DA QUEBRADA estreia no início de julho em São Paulo, com sessões especiais nas salas de cinema do circuito da SPCine, auditórios dos CEUs e Fábricas de Cultura, nas quatro regiões periféricas de São Paulo. No início de agosto, chega ao centro no CCSP, e outras lugares do Brasil em circuito de impacto. Todas as sessões especiais de estreia são seguidas de debate com a equipe do filme e visionários convidados. 

Os personagens

 Gal Martins, dançarina, cofundadora e diretora da CIA Sansacroma e do projeto Zona Agbara, que, junto com um grupo de mulheres do Jardim Ângela, na zona Sul, utiliza narrativas corporais a partir da dança contemporânea como principal ferramenta de transgressão e afirmação de estética negra.

Gal Martins, diretora da Cia Sansacroma

Crédito: Divulgação

Alex Santos, estilista e criador do P.I.M – Periferia Inventando Moda, concebido e realizado na comunidade de Paraisópolis, na zona Oeste. O projeto forma modelos, fotógrafos e maquiadores para atuar na área, ao mesmo tempo que divulga a beleza da comunidade e revela novos talentos.

Amanda Negra Sim, cantora, MC, compositora e fundadora da Casa das Herdeiras de Aqualtune, onde acontecem atividades com diversos grupos e coletivos na região do Capão Redondo,  zona Sul, para difundir culturas e religiões de matrizes africanas por meio de dons artísticos surpreendentes.

 Dimas Reis, morador da Brasilândia, zona Norte, que atua nas áreas de cultura, saúde e meio ambiente, conectando pessoas, ideias, projetos e negócios para fortalecer culturas e povos tradicionais.

Guilherme Petro, jornalista e gastrônomo, que participou da criação do Prato Firmeza – Guia Gastronômico das Quebradas de SP, junto com a galera do Énois.

Fábio Lol, arte educador, grafiteiro, músico e produtor do Samba do bowl. Com o coletivo de articuladores da região do Jardim Eliza Maria, na zona Norte, o grupo luta para manter viva a praça Sete Jovens.

 Rose Modesto, educadora e ex-coordenadora do centro profissionalizante em São Mateus, zona Leste, onde vive.

Tony Marlon, jornalista, fundador do Historiorama do Campo Limpo, zona Sul, que põe a mão na massa para que diversos projetos existam. Apaixonado por educação popular e comunicação comunitária, seu propósito é impulsionar o direito de todas e todos contarem a sua história para o mundo.

Rodrigo Costa, artista e dançarino porta-voz do Coletivo Arouchianos, que busca garantir a visibilidade, ocupação sociocultural e a demarcação do Largo do Arouche como território LGBT+HQIAP.

Elem, Cláudio e Fábio, moradores da Favela da Paz e da casa coletiva no Jardim Nakamura, zona Sul, que pratica e reflete sobre alimentação saudável, vegetarianismo nas periferias e biotecnologias como forma de ganhar autonomia.

 

AGENDA

Todas as atividades são seguidas de debate com as diretoras, equipe do filme e visionários. A entrada é gratuita, ingressos distribuídos uma hora antes.

CEU PARAISÓPOLIS (Zona Sul) 27/06 (quarta), 19h00

CEU BUTANTÃ (Zona Oeste) 01/07 (domingo), 16h00

CEU TRÊS LAGOS (Zona Sul) 04/07 (quarta), 19h00

CEU PAZ (Zona Norte) 15/07 (domingo), 16h00

CEU SÃO RAFAEL (Zona Leste) 18/07 (quarta), 19h00

CENTRO CULTURAL CIDADE TIRADENTES (Zona Leste) 25/07 (quarta), 19h00

FÁBRICA DE CULTURA JD SÃO LUIZ (Zona Sul) 29/07 (domingo), 16h00

CCSP (Centro) 08/08 (quarta), 19h00

Das periferias para o centro: qualquer pessoa pode exibir o filme em seu espaço

Para que as ideias e projetos dos VISIONÁRIOS se espalhem também por todo o país, o documentário está disponível na plataforma Taturana Mobilização Social. Pela plataforma, qualquer pessoa ou instituição pode organizar uma exibição coletiva em seu espaço e ser um parceiro do filme. Basta se cadastrar e agendar a sessão para ter acesso ao documentário: www.taturanamobi.com.br

 

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Sobre a autora:

Lívia Lima

Jornalista, mestre em Estudos Culturais e moradora de Artur Alvim, zona leste de São Paulo.

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