“Contra o genocídio do povo preto, nenhum passo atrás” é o que gritavam centenas de manifestantes na tarde deste domingo (31) em frente ao palácio do governo, em Laranjeiras, capital do Rio de Janeiro (RJ), durante o ato “Vidas Negras Importam”, organizado por diversos coletivos que integram o Movimento de Favelas do RJ.

Com cartazes trazendo frases como “basta de corona tiro”, os manifestantes mostraram a indignação em relação à opressão do Estado. Diante da pandemia causada pela Covid-19, já aconteceram mais assassinatos pelas mãos da polícia do que no mesmo período de 2019.

Segundo dados da organização Fogo Cruzado, em março, quando começou a quarentena, ocorreram 446 tiroteios/disparos de armas de fogo no Rio de Janeiro. Em abril, esse número subiu 12%, totalizando 501 tiroteios/disparos na região metropolitana da cidade

Centenas protestaram neste domingo (31) em Frente ao Palácio do Governo no RJ

Centenas protestaram neste domingo (31) em Frente ao Palácio do Governo no RJ

Crédito: Naldinho Lourenço/ Favela na Luta

“A manifestação é em protesto pelas pessoas assassinadas só neste período de pandemia. No estado do Rio de Janeiro, a polícia matou 606 pessoas em quatro meses deste ano, sendo 290 em março e abril, período dentro da pandemia, 43% a mais do que no mesmo período do ano passado”, aponta nota divulgada pelo movimento nas redes sociais.

No sábado (30), mais um jovem foi assassinado pela polícia nas proximidades do Morro do Borel, na zona norte do Rio. Matheus de Oliveira tinha 23 anos. “Mesmo em meio a maior crise sanitária do século 21, as polícias do Rio não deixaram de matar a juventude negra e pobre das favelas e periferias. As recomendações em todo o mundo é resguardar as vidas, mas a regra não serve para governos que já têm em suas estruturas práticas racistas e genocidas”, diz ainda a nota.

Ato no Rio de Janeiro "Vidas Negras Importam" aconteceu na tarde de domingo (31)

Ato no Rio de Janeiro “Vidas Negras Importam” aconteceu na tarde de domingo (31)

Crédito: Hector Santos

São Paulo

Na capital de São Paulo (SP), diversas pessoas também ocuparam o vão do Masp, na Av. Paulista, pedindo justiça pelas mortes de João Pedro, 14, assassinado no Rio de Janeiro em 18 de maio durante operação policial e também pela morte de George Floyd, assassinado também por policiais nos Estados Unidos, em 25 de maio.

A co-deputada Erika Hilton, da Bancada Ativista, esteve na Av. Paulista nesta tarde e apontou que o ato teve um clima muito grande de tensão.

“Havia uma polarização política posta na Av. Paulista. De um lado, aqueles que reclamavam pela volta do regime militar. Do outro, estavam as torcidas organizadas e o movimento negro, clamando pelo direito à vida, pela democracia, pelo fim do genocídio da juventude negra e periférica e também pelo enfrentamento justo e digno do coronavírus, que mata e se alastra pelas periferias do país”.

Ato reuniu centenas de pessoas na Av. Paulista (31) em prol de justiça e pela democracia

Ato reuniu centenas de pessoas na Av. Paulista (31) em prol de justiça e pela democracia

Crédito: Pedro Borges/Alma Preta

Para a deputada, nesse momento, as populações negras e periféricas não tinham que ter nenhuma preocupação, além do coronavírus. “Mas, infelizmente, o governo Bolsonaro e sua trupe, sejam os seus ministros deputados ou eleitores polarizam o país e nos obrigam a ocupar as ruas para que a democracia não seja destruída e nosso país saqueado”, afirma.

Os manifestantes estavam com máscaras, óculos e as medidas de segurança devido à Covid-19 estavam sendo tomadas. Para Erika, o ato foi uma maneira de demarcar o posicionamento dos movimentos organizados e do povo preto.

“Foi fundamental para responder à extrema direita reacionária, conservadora e fascista de que não aceitaremos calados e passivos que o nosso país seja tomado por um regime autoritário e fascista. O povo preto está cansado de morrer e não vai aceitar calado e pacífico que o autoritarismo, o militarismo e a ditadura retomem nesse país”.

A co-deputada pela Bancada Ativista, Erika Hilton, e a escritora Amara Moira na Av. Paulista

Crédito: Amara Moita

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