Nina, Leia, Coringa, Sandra e Elisabette são mulheres encarceradas na Cadeia Pública de Franca, cidade do interior do estado de São Paulo.

Elas são as personagens principais do documentário de Julia Hannud e Catharina Scarpellini, “Saudade Mundão“, que estreou nas plataformas de streaming da Descoloniza Filmes  no início de dezembro.

Um caminho percorrido

Somos o 4º país do mundo que mais encarcera mulheres. Entre os anos 2000 e 2016, sofremos um crescimento de 700% da massa carcerária feminina no país.

É dentro deste cenário que o documentário Saudade Mundão surge. Em Franca, município brasileiro no interior do estado de São Paulo, as cineastas da obra contam que foram recebidas pelo diretor da unidade prisional sob a condição de autorização das próprias presas.

Depois de uma roda de conversa com dez das 142 internas, e de autorização do PCC (Primeiro Comando da Capital), as filmagens do documentário tiveram início.

Elas relatam que “a liberdade adquirida com essa negociação e a intensidade do curto período que tinham para trabalhar propiciaram muito da intimidade entre equipe e personagens que se testemunha” no filme.

Mais que tempo e integração, a produção é fruto também de construção anterior da dupla, o curta “Amor só de mãe“, que contava histórias de maternidade no encarceramento com as detentas da mesma cadeia.

Esta experiência inicial teve fundamental importância para que características e temas mais profundos e humanos dessas mulheres pudessem ser notados para ganharem espaço e voz.

Filhas, mães, trans, marginais: mulheres encarceradas

A partir do tema maternidade do filme anterior, sonhos, medos, fragilidades e potências foram descobertas naquelas personagens que são, além de mães, humanas e mulheres privadas de liberdade.

Em Saudade Mundão, o primeiro longa da dupla, a narrativa vem das próprias protagonistas do filme. Além disso, a dimensão do feminino e de gênero é uma das questões centrais do filme, cuja narrativa é conduzida por quatro personagens mulheres e um homem trans.

 

Histórias humanizadas

Ao conquistar uma relação de confiança ao longo da produção, os relatos de vida das mulheres trazem com naturalidade à tona questões mais amplas para discussão.

As cineastas esperam que além do debate sobre o sistema carcerário, é importante que reflitamos também sobre “as condições de vida de pessoas que passaram por esse sistema também fora dos muros, e que já eram atravessadas por questões estruturais como racismo, preconceito de gênero, machismo, desigualdade social e violência do estado muito antes do encarceramento”.

“Nosso desejo era o de se aproximar de quem é a população que se encontra em cadeias femininas, trazendo questões humanas à tona que dizem respeito a todas nós”, compartilham Julia Hannud e Catharina Scarpellini.

Mãos femininas sobre grades de uma cela prisional

Saudade Mundão estreia na quinta-feira (3) nas plataformas de streaming da Descoloniza Filmes.

Crédito: Divulgação

 

Leia também:

Pesquisadoras das periferias sugerem coletividade para mulheres

As informações acima são de responsabilidade do organizador do evento e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.

Temas: