Se tem uma notícia que a população brasileira espera com ansiedade, essa com certeza é a data de quando estará liberada a vacina que irá nos imunizar da Covid-19. A resposta, no entanto, depende de uma série de fatores, que vão desde a vigilância sanitária a disputas políticas e ideológicas.

Se no passado cientistas chegavam a demorar anos para a produção desses imunizantes, diante da primeira grande pandemia do século 21, as vacinas vêm sendo desenvolvidas em uma rapidez nunca antes vista em todo o mundo, sendo uma verdadeira corrida contra o tempo de todos os lados.  Veja abaixo nossa vídeo-reportagem ouvindo as mulheres das periferias e explciando em que estágio estamos das pesquisas com as vacinas:

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em relatório publicado em 19 de outubro, 44 projetos de vacinas chegaram até a etapa de ‘estudos clínicos’, ou seja, com testes realizados em seres humanos. Ao todo, foram mais de 200 apresentadas.

Do total, 11 iniciativas estão na fase três de estudos científicos, que é quando um número muito grande de voluntários são testados para analisar se a vacina pode realmente proteger ou, então, causar algum tipo de dano à saúde da pessoa testada.

Desse total, quatro desenvolvedoras já publicaram o resultado de seus testes de eficácia. É importante dizer que todos os dados são ainda preliminares. Embora as indústrias tenham feito a divulgação para a imprensa, nenhuma análise do atual estágio destas vacinas foi publicada em revista científica.

As quatro vacinas que já chegaram até a fase 3 são a Sputinik, a vacina russa da indústria Gamaleya; a vacina Astrazeneca, produzida em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido; a mRNA-1273, a vacina da indústria norte-americana Moderna e a BNT162b2, produzida pela indústria norte americana Pfizer, em parceria com a indústria alemã Biontech.

Aqui no Brasil, algumas vacinas ficaram mais conhecidas, já que algumas indústrias têm corsórcio com alguns setores brasileiros para distribuição de doses de suas vacinas no país. Abaixo, você confere a relação das vacinas, sua eficácia e em que pé está a negociação para sua distribuição:

  • Sputinik, a vacina da Rússia da indústria Gamaleya, já chegou até a fase 3 de testes apresentando 92% de eficácia, segundo o governo russo. É preciso aguardar o resultado oficial em pesquisa científica. No Brasil, a vacina possui um consórcio com o Governo do Paraná, que ainda não especificou como se daria sua distribuição.
  • Astrazeneca – a vacina produzida pela indústria em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, também já chegou até a etapa 3 de testagem, e apresentou dados preliminares apontando 70% de eficácia. Também está no aguardo da publicação oficial para ser, de fato, liberada. No Brasil, possui parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para transferência de tecnologia e compra de lotes. A parceria irá permitir ao Brasil a produção de mais de 70 milhões de doses da vacina até começo de 2021. Segundo o acordo, haverá entrega de 15 milhões de doses até dezembro de 2020 e outras 15 milhões até janeiro de 2021
  • mRNA-1273, a vacina da norte-americana Moderna foi até a fase 3 de testagens, apresentou seus dados preliminares de eficácia, que chegaram até 94,5% de eficácia. Não há ainda nenhum tipo de consórcio com essa vacina no Brasil.
  • BNT162b2, produzida pela indústria norte americana Pfizer, em parceria com a alemã Biontech, a vacina já chegou a terceira fase de testes, apresentou eficácia de 95%. O Brasil não possui acordo para adquirir e distribuir a vacina. Porém, no último dia 17 de novembro o governo brasileiro recebeu executivos da Pfizer para conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento oferecidas pelo laboratório. As informações são do Ministério da Saúde.
  • CoronaVac, da empresa chinesa de biotecnologia Sinovac já chegou até a fase 3 de testes, mas ainda não apresentou oficialmente os dados colhidos dessa última etapa, que é a fase que mede a eficácia do antiviral. Desse modo, não é possível ainda falar em porcentagem de eficácia da CoronaVac. A empresa possui um consórcio com o Estado de São Paulo, por meio do Instituto Butantã,

Registro da vacina no Brasil

Uma nota divulgada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na quinta-feira (26) aponta que para qualquer vacina ser liberada para uso no Brasil é preciso que seja feito o registro da Anvisa anteriormente.

“O registro de vacinas pela Anvisa tem como objetivo garantir à população brasileira que os requisitos técnicos necessários à fabricação e ao uso em massa da vacina sejam cumpridos”, aponta a organização em nota, que explica que a validação da Anvisa é importante para checar:

  • Evidências de que a vacina é eficaz e segura em brasileiros.
  • Condições técnico-operacionais da fábrica da vacina que virá para o Brasil.
  • Prazos de validade e medidas de qualidade para preservação da vacina, considerando as condições climáticas de nosso país.
  • Medidas para acompanhamento e tratamento dos efeitos colaterais da vacina ocorridos nos indivíduos vacinados aqui no Brasil.

No dia 17 de novembro, a Anvisa anunciou medidas que podem acelerar o registro de vacinas contra a Covid-19. A norma publicada no dia 18 no Diário Oficial mostra que a Anvisa autoriza que empresas interessadas em registrar uma vacina podem enviar dados técnicos sobre os testes de forma contínua.

Normalmente, para o registro de uma vacina, as agências exigem todos os estudos e informações sobre a segurança, eficácia e conteúdo de uma vez só. Como o mundo passa por uma pandemia, um processo contínuo permite que os técnicos da Anvisa já comecem a analisar o que está pronto – resultados de estudos iniciais e outros dados, como os referentes ao prazo de validade e às condições de armazenamento adequadas.

A favor da vacina x negacionistas

Segundo pesquisa realizada pela revista ‘Nature’, 83,4% da população brasileira é a favor da vacina, independente de qual for. O debate tomou a esfera pública no fim de outubro, quando o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu que tanto o Executivo (ou seja, o presidente) quanto o Legislativo (deputados e senadores) façam o debate sobre a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 antes que a discussão seja dominada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Maia apontou, em coletiva de imprensa, que os dois poderes não podem deixar um espaço aberto para o Supremo decidir e depois ser acusado de ativismo. A discussão ganhou corpo após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarar que era contrário à obrigatoriedade da vacina, trazendo um debate já antigo na sociedade brasileira. Em paralelo, o presidente do STF, Luiz Fux, defendeu na última sexta-feira (23) que a Justiça entre também no debate sobre as vacinas.

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