Desde março, quando a Covid-19 também se tornou um risco no Brasil, as periferias têm sido os territórios mais atingidos pela doença. Até esta quinta-feira (16), o Brasil já tinha 1.966.748  casos confirmados, sendo 180.450 só na capital de São Paulo, como mostra o Boletim Diário Covid-19, da Secretaria de Saúde municipal.

Diante desse cenário, a Uneafro Brasil e o Instituto de Referência Negra Peregum construíram o projeto Agentes Populares de Saúde, com o objetivo de apoiar os territórios periféricos na prevenção do novo coronavírus.

A ideia é repensar o direito à saúde formando agentes das próprias localidades para orientar a população e acompanhar quem está com sintomas de Covid-19, principalmente os que não tiveram acesso a um atendimento médico presencial.

uma mulher realiza entrega para outra mulher com uma criança nos braços

Agentes Populares de Saúde

Crédito: Uneafro

A equipe capacitada para o serviço tem o apoio de profissionais da área de saúde como especialistas em medicina da família, psiquiatria, infectologia, psicologia e também profissionais do direito e assistência social.

“O projeto reforça que todas as pessoas têm direito à saúde e a importância do SUS [Sistema Único de Saúde] é inquestionável! Mas, nem sempre o serviço consegue atender todas e todos que necessitam dele”, aponta nota oficial da Uneafro.

Sandra dos Santos é moradora de Cidade Kamel, na zona leste, e,  agora, integra também a rede de formação de agentes populares. Para ela, ter acesso às informações e ensinamentos do projeto é um caminho para conseguir conscientizar suas vizinhas e vizinhos.

“Ao ter acesso aos recursos, a gente consegue orientar as pessoas e passar a importância do autocuidado. Tudo que a gente tem de informação, passamos para as pessoas para que elas se previnam”, diz Sandra.

Para além disso, ela enxerga a ação como uma possibilidade de conhecer as realidades de outros bairros de São Paulo e pensar, mesmo à distância, em soluções alternativas para a contaminação das periferias: “a troca com outras agentes me dá uma ideia das necessidades de cada local na cidade”.

Atualmente, a ação acontece em cinco diferentes regiões de São Paulo: no Jardim Miriam, zona sul, junto ao núcleo Pagode na Disciplina; na zona leste, na Fazenda da Juta, junto ao núcleo Angela Davis. E, em outros três outros polos na região metropolitana de São Paulo:  Poá, com o Núcleo XI de Agosto, e em São Bernardo do Campo e Guarulhos. 

Agentes populares de Saúde atuam auxiliando comunidades das periferias de SP

Crédito: Uneafro

Seja uma agente popular de saúde

O projeto propõe que qualquer pessoa por meio de uma formação virtual possa orientar o seu território sobre ações de enfrentamento ao novo coronavírus, com a leitura das cartilhas didáticas e assistindo às vídeo-aulas de profissionais de saúde. As pessoas que se tornam agentes populares de saúde aprendem também sobre a prevenção dos riscos de contágio, as medidas de autocuidado, cuidados domésticos e como cuidar da população mais vulnerável em sua região — atuando junto ao sistema de saúde local.

No site Agentes Populares de Saúde é possível encontrar informações organizadas em cartilha sobre cuidados domésticos com quem tem sintomas de Covid-19, protocolos e orientações para quem quer ser agente popular de saúde e um guia para uso de EPIs (equipamentos de proteção individual). 

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