A escritora Joyce Santos Silva, autora de A princesa que roubava pentes, publicado em maio de 2016, enviou para a seção “Nossas Vozes” um conto em homenagem a Tereza de Benguela.  O dia 25 de julho é instituído no Brasil pela Lei número 12.987 como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

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Joyce Santos Silva, 30 anos, pedagoga, escritora, ilustradora, é moradora do Jardim Brasil, na zona norte de São Paulo. Pós-graduada em Comunicação Visual e diante de muitas vivências no ramo da moda, em meio a pesquisas percebeu o quanto a identidade visual influenciava no universo infantil e como nos falta referências da nossa própria história. “Como professora, eu percebi que podemos melhorar a base escolar para gerar uma sociedade melhor. O preconceito vem daquilo que não conhecemos, não dá para mudar o que passou, mas a partir de hoje podemos ser melhores que ontem”.

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Joyce Santos Silva/ crédito: arquivo pessoal

Segue uma história de amor pela vida e resistência de negros e índios perdidas como tantas outras neste Brasil. Contada de forma lúdica, mostrando parte da história do nosso país que não é contada na escola, mas é tão importante quanto todas as outras. É um conto infantil que fala sobre uma das mulheres fortes, que ajudou a construir e fez história no nosso país, mas que infelizmente nos nossos livros de história está esquecida!

“Falo sobre Tereza de Benguela, mulher negra, líder quilombola, rainha no século XVIII no auge da colonização, conseguiu sustentar sua comunidade por duas décadas sem fazer parte da escravidão, junto com os indígenas e, o mais importante, transformou todos os acessórios de tortura do escravos em ferramentas para auxiliar na agricultura, nos teares, transformando a economia do local. Meu conto fala sobre a história desta mulher incrível, mas também fala sobre força, transformação, luta e resistência, pois embora todos com sua morte tenham se transformado em estrelas, de alguma forma estão aqui a nos guiar e não deixar estas histórias esquecidas. Apresento – lhes Rainha Tetê”.

Conto infantil sobre Tereza de Benguela: Rainha Tetê

Rainha Tetê/ crédito: ilustração de Joyce Santos Silva

Rainha Tetê/ crédito: ilustração de Joyce Santos Silva

Era uma vez…
Em um passado ainda presente em nossas vidas, uma rainha chamada Tereza de Benguela. Rainha Tetê!
Que cresceu com seus olhos brilhantes e lagrimejados, vivendo as tristezas e alegrias de uma nova colonização.
Tristeza em ver seus irmãos decendentes de mãe África viver crueldades inimagináveis, em um novo mundo que nascia.
Pobres meninos e meninas que acreditavam que a felicidade estava em riquezas que se podia comprar.
Compravam pessoas, tecidos e armas, presupondo que o ouro nunca se acaba e a moeda de troca era o bom pagar.
Cidades erguidas em cima de suor e ironia com a força da Ave Maria, lágrimas enchiam rios suas dores vinham a chorar…
Rios transformando-se em corredeiras se tornavam cachoeiras, feitas com a força da mãe natureza o povo de África vinha a saudar.
A união de pessoas, que por seus direitos vinham a aclamar.
Os Quilombolas… Povo unido e forte, que contra a escravidão lutava mesmo que valesse a morte, seus grilhões vinham a quebrar.
Menina Tetê se casa com José Piolho, líder do quilombo e em sua morte seus olhos brilhantes veio mais uma vez a molhar.
Mas seu orgulho lhe ergueu e se tornando rainha viu que sua sina era lutar pelos seus…
E mostrar que suas vestes, mesmo não sendo o que um branco lhe prometeu, fez seu futuro mudar.
Usando armas, grilhões e as cicatrizes de uma nação, para construir uma comunidade justa, onde a união de negros e índios transformam dores em vitórias, lágrimas em sorrisos e lutas em liberdade.
A Rainha Tetê conseguiu resistir com seu povo durante 20 anos, dando sorriso com seus olhos brilhantes de alegria.
Até que um dia… pessoas por achar que determinada etinia prevaleceria, invadiu o Quilombo onde aquele povo vivia e boas intenções eles não tinham.
Mas que surpresa!!!
Por acreditar tanto na liberdade e em uma comunidade com tanta nobreza, Deus lhes concedeu como mágica virarem estrelas!
Tão brilhantes a guiar o futuro dos indivíduos que por aqui vieram morar.
E a Tetê bela rainha, com seus olhos de jabuticabas tão pretinhas…
Viu em um povo sua glória, brilhando com as lágrimas mais simplórias, se viu em um rio a navegar…
Vou rumo a história, pois se um dia ou agora, alguém veio me aclarar…
Passe pelo Rio Guaporé, lá estaremos como verdadeiros guerreiros negros e índios de ante da luta ainda em pé.

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