“Infelizmente nós vivemos em uma sociedade extremamente racista. Este racismo é produzido e reproduzido dentro das escolas por meio de discursos e práticas pedagógicas de um currículo que não abarca a diversidade étnico-racial existente no nosso país. Com isso, as escolas tem sido espaços de violência, de exclusão e de abandono para meninos e meninas negras neste país”.

A fala é da educadora Luana Tolentino, escritora e autora do livro “Outra educação é possível: feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula”. Para ela, o silêncio tem imperado nos espaços escolares quando se trata de combater as práticas discriminatórias.

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Para a pedagoga Carol Adesewa, antes de falar sobre racismo com crianças, principalmente com crianças pequenas, nós devemos apresentar para elas a nossa história. “Devemos conversar e buscar recursos para que elas possam viver a nossa ancestralidade, viver a nossa estética, viver a nossa riqueza, viver as nossas potencialidades”, diz ela.

Carol Adesewa é criadora do Afroinfância, um canal voltado para práticas educativas afrocentradas e acredita que quando a família e a escola cumprem seu papel de falar sobre nossa história com as crianças, ao se deparar com situações em que o racismo e suas manifestações se apresentem, as crianças estarão fortalecidas de referenciais positivos.

O artista gráfico Antônio Junião se preocupa em jogar aberto com seu filho: “Eu acho que a gente tem que usar esses exemplos que acontecem no dia a dia para debater que tipo de sociedade que a gente quer. Porque se a gente quer uma sociedade em que as pessoas têm os mesmos direitos, onde todas as pessoas conseguem viver bem o racismo é uma coisa que não dá para existir”, afirma.

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Mayara Penina

Mayara Penina

Mayara é jornalista e moradora do Campo Limpo, zona sul de São Paulo.