A festa do Dia das Crianças é uma tradição nas periferias de São Paulo e do Brasil. Normalmente, este é um feriado de rua fechada, pula-pula, refeições coletivas e entrega de brinquedos. Em tempos de pandemia, uma ONG da zona sul paulistana encontrou uma solução para fazer a celebração acontecer com distanciamento.

Há 31 anos em atividade, o Lar Maria e Sininha já é conhecido no bairro Mata Virgem, região do Eldorado, lado sul da capital paulista. Antes de se transformar em um espaço de cultura, em 2010, o Lar foi um abrigo para crianças. Tudo começou de um ímpeto da dona Aparecida, criadora do espaço.

Décadas atrás, ela passou a cuidar dos filhos de outras mulheres para que pudessem trabalhar. Mãe, cabeleireira e às vezes atuando como faxineira, quando ela percebeu, tinha 120 crianças aos seus cuidados. Após sua morte, Luciana Bispo, sua filha, assumiu a coordenação da organização.

No meio desta história toda, o Dia das Crianças se tornou um evento esperado na região. A tradição inclui duas refeições, café da manhã e almoço, e um presente por criança. Neste ano todas essas etapas irão acontecer, mas de um jeito diferente.

A coordenadora Luciana Bispo durante a festa do Dia das Crianças em 2019

Crédito: Gustavo de Moraes

“Pela manhã, os voluntários irão entregar o café da manhã na casa nas pessoas. Na hora do almoço, entregaremos as marmitas para as pessoas que estiverem cadastradas”. O cadastro acontece para ter um controle do número de marmitas por família e de crianças também.

A alimentação não acontecerá no espaço do Lar Maria e Sininha, como costuma acontecer. O objetivo é que as pessoas beneficiadas façam as refeições nas suas casas. “A mesma coisa vai acontecer com os brinquedos e os doces. Vamos dividir por faixa etária, em horários diferentes, e isso também será feito com base nas pessoas cadastradas”.

O público-alvo são as crianças que moram no Morro dos Macacos, uma ocupação que existe há anos no bairro do Eldorado, também na zona sul. Toda a organização é feita de maneira autônoma e o o número de famílias atendidas irá depender de doações.

Para incentivar o apoio individual, cada voluntário e integrante da ONG tem convidado pelo menos mais 10 pessoas para doações que podem ir de R$10 a R$100, ou até mesmo um valor superior. Para ter mais informações sobre como doar, acesse as redes sociais do Lar Maria e Sininha.

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Sobre a autora:

Semayat S. Oliveira

Semayat Oliveira, jornalista e moradora do Jardim Miriam (ZS)

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