O coletivo Nós, mulheres da periferia afirma por meio desta nota seu luto e indignação pela execução de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, mãe, socióloga, nascida no complexo da Maré e ativista. Atingida por quatro tiros na cabeça na última quarta-feira, dia 14 de março, seu assassinato escancara a forma racista, misógina e desumana com que mulheres negras e periféricas são tratadas neste país. O motorista, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e faleceu.

A vida de mais uma das nossas, de mais uma mulher negra, foi interrompida. Prestamos solidariedade as amigas, amigos e familiares e reforçamos que estaremos atentas ao processo de investigação. Para entender melhor sobre o caso, clique aqui.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, pediu à Polícia Federal para entrar nas investigações sobre o assassinato da vereadora e disse que acompanhará pessoalmente o caso. Jungmann conversou ainda na noite de quarta-feira com o interventor militar/federal na Segurança no Rio, general Braga Netto, e colocou a PF à disposição.

Neste contexto, o Nós incentiva fortemente que nossas leitoras e leitores acompanhem os veículos de comunicação dos territórios periféricos do Rio de Janeiro.

Acreditamos que os projetos de comunicação atuantes como o Papo Reto, Voz das Comunidades e o Instituto Raízes em Movimento  terão informações com diferentes perspectivas, com um olhar de dentro para fora e com maior possibilidade de perseguir a apuração do caso. Em situações como essas, é fundamental estarmos atentas ao tipo de mídia que lemos e confiamos

Os investigadoras da Delegacia de Homicídios afirmaram que a principal linha de investigação é execução. No dia 28 de fevereiro Marielle se tornou a relatora da Comissão que acompanha a intervenção militar/federal no Rio de Janeiro. E, no último sábado, a vereadora usou suas redes sociais para denunciar o homicídio de jovens na favela de Acari, localizada na zona norte da cidade.

Ela foi uma mulher negra e jovem corajosa para denunciar abusos e ilegalidades, intervir no ambiente político e articular pessoas. Sua morte foi um golpe nos atingiu profundamente, drasticamente. Violências e agressões contra corpos negros são cotidianas. E, mais uma vez, a vida de uma jovem com poder revolucionário foi anulada.

Marielle entrou para as estatísticas que comprovam a estratégia genocida contra a população preta no Brasil, mas nenhuma dessas mortes são apenas estatísticas para Nós. A luta contra esse ciclo violento era uma de suas principais frentes de atuação. O coletivo Nós, mulheres da periferia faz coro as notas já divulgadas até aqui, como a da Anistia Internacional, e exige justiça.

Justiça por Marielle!

Acompanharemos o caso e, por hora, sugerimos as seguintes leituras:

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