13 de maio de 2006, sábado. Nesse dia, eu tinha ido a um show no Sesc Pompéia com uma amiga à noite. Na volta para casa, vimos muitos policiais nas ruas e só depois soubemos que havia ocorrido atentados contra policiais e rebeliões nos presídios.

No dia 15, segunda-feira, fui trabalhar. Na época eu estava em um emprego que havia entrado apenas duas semanas antes. Trabalhava das 9h às 18h, mas devido aos boatos de atentados a ônibus e faculdades, me autorizaram sair às 16h.

Me comuniquei com minha irmã que também havia saído mais cedo do trabalho. Tentei pegar o ônibus para o meu bairro na estação Tietê. O ponto estava lotado, as pessoas com expressões de preocupação, com seus celulares, falando ou mandando mensagens para amigos e familiares.

Durante o tempo que aguardei no ponto, não passou nenhum ônibus que servisse para mim. Decidi pegar o metrô, a mesma cena no vagão – cheio de pessoas preocupadas voltando para casa. Desci na estação Tucuruvi, onde encontrei minha irmã.

Não conseguimos pegar ônibus para casa, mas encontramos conhecidos da minha irmã que estavam de carro e nos deram carona. Trânsito, pessoas tensas, um clima de medo. Chegamos em casa às 18h40, duas horas e quarenta minutos depois.

Segundo o Estadão, em 24 horas, 51 ônibus foram atacados e incendiados. O número de atentados chegou a 150 casos, com 96 mortes e 55 feridos. A polícia chegou a esvaziar o aeroporto de Congonhas por suspeita de bomba.

Quando me lembro dessa data, de dez anos atrás, lembro da sensação de medo, do terrorismo provocado pelos boatos, mas não presenciei nenhum ato, não vi ônibus, nem bases atacadas.

Em minhas anotações na agenda, no dia 16 de maio, terça-feira, inclui: “A cidade está vazia e medrosa”.

Créditos: Andrea Lino/ Flickr

Créditos: Andrea Lino/ Flickr

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