Foto: Thais Alvarenga

 

Marielle Franco, 38, a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016, foi executada a tiros na noite da última quarta-feira (14), por volta das 21h, no Estácio, bairro da zona central da cidade. Vários estados organizaram manifestações para esta quinta-feira (15) exigindo justiça para o caso e em repúdio ao genocídio da população negra. Em São Paulo, a concentração será ás 17h no vão livre do Museu de Arte (Masp), na Avenida Paulista.

Moradora do Complexo da Maré, ela desenvolveu uma tese de mestrado intitulada “UPP: a redução da favela a três letras” e formou-se em sociólogia pela PUC-Rio. Ativista, mãe de uma jovem e mulher negra, ela foi eleita com 46.502 votos e lutava contra o racismo e suas consequências no Brasil.

A execução aconteceu quando os assassinos emparelharam o carro ao lado do veículo onde Marielle estava, na Rua Joaquim Palhares, região Central do Rio, e dispararam. Ela morreu com quarto tiros na cabeça.

O motorista, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e faleceu. A assessora que a acompanhava, atingida por estilhaços, teve liberação do Hospital Souza Aguiar por volta das 0h20. Segundo informações divulgadas pelo G1, a perícia encontrou nove cápsulas no local e investigadores da Delegacia de Homicídios afirmaram que a principal linha de investigação é execução.

No dia 28 de fevereiro Marielle se tornou a relatora da comissão que acompanha a intervenção militar/federal no Rio de Janeiro. E, no último sábado, a vereadora usou suas redes sociais para denunciar o homicídio de jovens na favela de Acari, localizada na zona norte.

Em um post, que teve mais de 2 mil reações e 5 mil compartilhamentos no Facebook, ela afirmou que “o 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari”.

E em outra publicação sobre o mesmo assunto, com o compartilhamento de uma foto do coletivo Fala Akari, Marielle escreveu uma legenda dizendo que “é assim que sempre operou a polícia militar do Rio de Janeiro e agora opera ainda mais forte com a intervenção”. Ela conclui com: “Chega de matar nossos jovens”.

Sábado de terror em Acari! O 41° batalhão é conhecido como Batalhão da Morte. É assim que sempre operou a polícia…

Publicado por Marielle Franco em Sábado, 10 de março de 2018

Reunião com mulheres negras

Antes de ter sido brutalmente assassinada, a vereadora promoveu um evento intitulado “Jovens Negras Movendo as Estruturas” em um espaço chamado “Casa das Pretas, no centro do Rio. Com dezenas de  mulheres reunidas, a roda de conversa foi transmitida via Facebook.

Na quarta-feira, ás 1oh da manhã, ela convocou suas seguidoras para o encontro dizendo: “Somos resistência, afeto, luta e esperança!”. No período da noite, após 1h40 de conversa, Marielle fechou o evento com a seguinte fala: “Avante, vamos mover muitas estruturas. Sairemos daqui com o corpo, com o coração e com a mente fortalecida para as batalhas que aí virão. Vamo que vamo, vamos ocupar tudo”.

Horas depois, ela teve sua vida interrompida. Suas lutas foram interrompidas. Seus amores, suas amizades, sua maternidade, seus projetos de mundo foram interrompidos.

Marielle foi mais uma vítima a entrar para a triste estatística que comprova o quanto ser mulher e negra torna uma pessoa mais vulnerável aos homicídios nesse país: 65,3% das mulheres assassinadas no Brasil são negras, segundo o Atlas da Violência 2017.

Em todas as redes sociais da vereadora, seguidores e seguidoras estão se manifestando e exigindo justiça para o caso.

Veja abaixo a transmissão ao vivo do debate em que Marielle participou antes do crime.

Começou! Roda de conversa Mulheres Negras Movendo Estruturas! Assista e compartilha!

Publicado por Marielle Franco em Quarta-feira, 14 de março de 2018

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Sobre a autora:

Semayat S. Oliveira

Semayat Oliveira, jornalista e moradora do Jardim Miriam (ZS)

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