Pelo quinto ano seguido, mulheres negras do estado de São Paulo organizaram uma manifestação durante o 25 de julho, dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha.

Durante todo o mês de julho, debates online tomaram as redes sociais para a comemoração do ‘Julho das Pretas’, como ficou conhecida a sequência de programações realizadas neste período.

No último sábado (25), isso se estendeu para ações descentralizadas pela capital paulista desde o início da manhã, com faixas e cartazes levantados por grupos menores.

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O grande diferencial veio durante a noite, quando projeções deram vida à prédios, igrejas e outros espaços simbólicos. As mensagens foram elaboradas com palavras de ordem e imagens históricas relacionadas ao combate ao racismo, ao machismo e a lesbotransfobia.

“Apresentamos nossas reivindicações para toda a sociedade alertando contra o projeto genocida em todas as esferas de governo”, diz a nota disparada à imprensa neste domingo, dia 26 de julho.

“Erguemos nossas vozes contra o encarceramento em massa, o capacitismo, a lesbofobia, a transfobia, a  intolerância religiosa,  a xenofobia, o etarismo e em defesa de todas as Mulheres Negras, onde quer que elas estejam”, ressalta trecho do manifesto lançado pelo coletivo.

No centro da cidade, em frente ao teatro municipal e na Praça Ramos, e na zona leste, na Igreja do Rosário dos Homens Pretos, na Penha, as projeções foram realizadas em parceria com o Coletivo Coletores.

A Marcha das Mulheres Negras de SãoPaulo realizou, ainda, projeções na Pompéia, na zona oeste; ocupação Cultural Mateus Santos, em Ermelino Matarazzo, zona leste; e na Praça Júlio César Campos, na zona sul, com apoio do do Fórum de Cultura de Parelheiros.

A reivindicação do Bem Viver, conceito que tem sido trabalhado nos últimos anos pela Marcha, continuou com força no protesto deste ano. O mote central foi: “Nem cárcere, nem tiro, nem Covid: corpos negros vivos! Mulheres negras e indígenas! Por nós, por todas nós, pelo bem viver!”.

Resgatamos nossa aliança de parentesco com as indígenas e marchamos pela construção de um novo marco civilizatório, no qual todas as mulheres negras possam viver com dignidade, alegria e prazer”, 

“A Marcha resiste porque a luta não pára. No Brasil, a pandemia escancarou as desigualdades econômicas, sociais e raciais. A crise sanitária mostrou que o racismo estrutural impõe à população negra a maior vulnerabilidade diante da COVID-19”, afirmam ainda.

Segundo as organizadoras, esta é a parcela da população que segue sem acesso aos direitos básicos de saúde, saneamento, educação e moradia, particularmente, mulheres negras, pobres e trabalhadoras informais.

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