No domingo (14), em São Paulo, aconteceu o terceiro protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e o genocídio da população negra. Além disso, no mesmo dia, a Coalizão Negra por Direitos, articulação nacional de organizações, entidades, grupos e coletivos, lançou uma manifesto que reivindica o combate ao racismo como o cerne da discussão sobre democracia no Brasil.

Com o slogan ‘Enquanto houver Racismo, não haverá democracia‘, o manifesto foi publicado na manhã de domingo com 132 assinaturas em destaque. Entre os nomes que endossam o posicionamento estão Anielle Franco, diretora do Instituto Marielle Franco, a poeta Mel Duarte, as e os artistas Fernanda Torres, Lázaro Ramos, Taís Araújo e o jornalista Juca Kfouri.

“Em nosso passado, formamos quilombos, forjamos revoltas, lutamos por liberdade, construímos a cultura e a história deste país. Hoje, lutamos por uma verdadeira democracia, exercício de poder da maioria, e conclamamos aqueles e aquelas que se indignam com as injustiças de nosso país”, diz um trecho do texto. 

Após o lançamento, a hashtag #comracismonaohademocracia alcançou centenas de menções nas redes sociais. A divulgação contou com publicidade em veículos com grande audiência, como o UOL e O Globo.

Na parte da tarde, já foi possível identificar cartazes que com os mesmos dizeres ocupando as ruas. Este foi o caso de Renata Silvério Balbino, 35, tradutora.

Em entrevista ao Nós, mulheres da periferia, ela afirmou que sua principal reivindicação é a justiça pelas vidas negras, considerando as intersecções para mulheres, mulheres trans e a juventude.

“Eu sou a favor da pauta do antifascismo e pela democracia. Esse governo está acabando com o país e acho que todo mundo [presente na manifestação] concorda com isso. Mas precisamos começar pela base do problema, repensar as nossas estruturas como sociedade, que foram construídas com o racismo”, disse.

Para Renata, o racismo é a base que tem que ser destruída para o avanço em outras frentes/Foto: Semayat Oliveira

Crédito: Semayat Oliveira

Com concentração no MASP (Museu de Arte de São Paulo), a manifestação seguiu até a praça Oswaldo Cruz, na região da Bela Vista, e encerrou por volta das 14h30. Durante todo a caminhada, centenas de policiais acompanharam a multidão em um cordão lateral, cercando uma das laterais da rua.

Relato feito pela Ponte Jornalismo expôs um caso de violência sofrido pelo jornalista do UOL, Luís Adorno. Em seu Twitter, ele contou que foi empurrado por um PM ao gravar como os policiais estavam tratando três jovens identificados como neonazistas.

Os movimentos sociais indicaram que pelos 2 mil pessoas ocuparam as ruas no dia 14. Ao final, após a leitura coletiva de um manifesto, o ato terminou aos gritos de “Fora Bolsonaro” e “Vidas Negras Importam”. Houve um novo chamamento para mais uma manifestação no dia 21 de junho.

No centro da capital paulista, no Viaduto do Chá, houve protesto de alguns apoiadores do governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Esvaziado, a principal crítica foi ao governador João Dória e suas medidas para combater a crise causada pelo novo coronavírus.

Veja a cobertura do Nós, mulheres da periferia em vídeo.

 

 

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Sobre a autora:

Semayat S. Oliveira

Semayat Oliveira, jornalista e moradora do Jardim Miriam (ZS)