Na terça-feira (23),  a jornalista Bianca Santana entrou com uma ação de indenização por danos morais contra Jair Bolsonaro (sem partido), após o presidente acusá-la por disseminação de notícias falsas – as chamadas fake news.

Durante a transmissão ao vivo que realiza toda quinta-feira em suas redes sociais, Bolsonaro menciona o nome da jornalista, sua ocupação como blogueira e a acusação de que é propagadora de notícias falsas, ao tentar vinculá-la a uma reportagem que Bianca nunca escreveu.

Diferentemente do intencionado e alegado pelo presidente, a jornalista não publicou qualquer texto que envolvesse o Partido dos Trabalhadores (PT) e suas ações judiciais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com uma simples busca online pelo título lido por ele  é possível verificar que se trata-se da publicação feita em 16 de outubro de 2018, com autoria de outra pessoa.

“A carreira profissional de Bianca Santana tem sido desenvolvida dentro de parâmetros de integridade e lisura, bem como ao compromisso com a busca pela verdade e justiça social”, aponta nota da Coalização Negra por Direitos, a qual Bianca integra.

“Bianca Santana é também uma referência do movimento negro brasileiro. Não é possível que seja acusada de propagar “fake news”. Uma grave acusação, sem nenhum amparo. Tal ato pode impactar de forma negativa sua trajetória profissional como jornalista. Como reparação ao dano causado, a ação judicial pleiteia a retirada do trecho do vídeo que a acusa falsamente, bem como uma retratação pública de Jair Bolsonaro”, aponta ainda um trecho do texto.

Ataques digitais a jornalistas

Um dos questionamentos da ação judicial movida contra ele é de qual seria o interesse por trás do resgate de uma notícia de dois anos atrás e relacioná-la a Bianca Santana.

“A acusação acontece na mesma semana do julgamento contrário à federalização do caso Marielle Franco, quando Bianca Santana escreveu um artigo publicado no Portal da UOL questionando o interesse e as vinculações da família Bolsonaro à milícia acusada de mandante e executora do assassinato de Anderson Gomes e Marielle Franco”, diz a nota da coalizão.

A transmissão semanal feita por Jair Bolsonaro já é reconhecida como um espaço de constante ataques a jornalistas que escrevem críticas à sua gestão. A ação judicial proposta destaca que constantemente o direito à liberdade de expressão e direito à informação são cerceados nestas transmissões realizadas por Bolsonaro.

 Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (FNAJ), 208 ataques a veículos de comunicação e jornalistas foram registrados no Brasil ao longo de 2019, um aumento de 54% em relação a 2018. O Presidente Jair Bolsonaro foi responsável por 58% deles.

Temas:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *