O garoto João Pedro Mattos, de 14 anos, morreu na segunda-feira (18), após ser baleado na barriga durante uma operação da Polícia Civil e Federal na Praia da Luz, em São Gonçalo ( RJ), na tarde da segunda-feira (18).  

O jovem brincava com os primos no quintal da casa de um tio, quando, de repente, os policiais começaram a atirar e o atingiram, relataram os familiares. Após baleado, o menino foi transportado de helicóptero para receber os primeiros socorros.

Nesse meio tempo, a família ficou sem informações sobre seu paradeiro. Rodaram angustiados por quase 17 horas por diversos hospitais para saber onde ele estava, em vão. A notícia de que seu corpo estava no Instituto Médico Legal (IML) só foi dada na manhã desta terça. 

Em entrevista ao UOL, a tia de João, Georgia Matos de Assis, disse que o sobrinho não estava sequer saindo de casa nos últimos tempos, por conta dos riscos ligados à pandemia e que, só havia ido brincar com os primos. 

“Se a Covid-19 não mata, a polícia mata. Até quando vidas negras não vão importar? “, disse a ativista Preta Ferreira em sua conta do Instagram e completou questionando “por que uma operação no meio de uma pandemia?”.

Em entrevista à TV Globo, o pai de João, Neilton Pinto, culpou o Estado e dirigiu suas palavras diretamente ao governador do Rio  Wilson Witzel (PSC), pelo assassinato de seu filho: 

“Senhor governador, a sua polícia não matou só um jovem de 14 anos com um sonho e projetos, a sua polícia matou uma família completa, matou um pai, matou uma mãe e o João Pedro. Foi isso que a sua polícia fez com a minha vida”, disse. 

E completou: “a vida do meu filho era escola, igreja e Jogos no celular. Interromperam o sonho de meu filho de ser alguém”. 

Nós, mulheres da periferia prestamos nossa solidariedade à família de João Pedro Mattos e reivindicamos que a justiça seja feita deste e de tantos outros casos nos quais nossas crianças e jovens tiveram suas vidas ceifadas pelas mãos do Estado. Os dias já estão difíceis, estamos vivendo lutas e dores coletivas diariamente, principalmente nas favelas e periferias. Precisamos proteger as nossas meninas e meninos e garantir um futuro digno a todos eles. Nossas vidas negras importam. 

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