Por Redação | 09/10/2020

Há quase 10 anos, o Espaço Cultural Cita (Cantinho de Integração de Todas as Artes), localizado ao lado da Praça do Campo Limpo, vem fortalecendo a disseminação cultural na zona sul de São Paulo e de toda a cidade, por meio de atividades, oficinas, eventos e festivais.

Mas desde o dia 6 de outubro o local corre grandes riscos de perder sua sede por meio de ação do próprio poder público, que informou que, em 10 dias, o espaço irá receber uma ordem de despejo.

“Recebemos no início desta semana a Chefe da Fiscalização da Subprefeitura Campo Limpo, acompanhada pela Polícia Militar, nos comunicando ter recebido uma denúncia de invasão do Espaço por pessoas em situação de rua”, diz a nota oficial da organização.

“O que não é verdadeiro, já que o CITA, mesmo fechado para o público devido à pandemia da COVID-19, recebe diariamente pessoas dos coletivos residente para manutenção do espaço e realização dos projetos em curso, que estão sendo adaptados à necessidade de isolamento social do momento”.

Os integrantes alegam que a denúncia recebida pela Fiscal e pela Polícia Militar está diretamente ligada às ameaças constantes recebidas por eles da Secretaria da Saúde, já que a pasta possui interesse em utilizar o espaço onde hoje está o CITA.

Há anos o espaço recebe avisos da Secretaria da Saúde, que tenta impedir a permanência e continuidade das ações culturais junto à comunidade, interrompendo o processo de Cessão de Uso do Espaço, protocolado em 2011, para a construção de um edifício anexo ao CAPS Infantojuvenil II Campo Limpo, localizado atualmente ao lado do CITA.

Os agentes culturais que compõem o espaço estão realizando uma campanha virtual, com o abaixo assinado #FicaCITA, além de envio de vídeos e/ou cartas de apoio e reconhecimento do CITA como importante espaço cultural da Cidade de São Paulo.

Atuação em prol da cultura e economia solidária

O CITA, espaço de cultura e ação comunitária, é gerido por variados coletivos desde o seu surgimento em 2011, possibilitando a consolidação de um espaço que tem como prioridade o acesso da comunidade à cultura de forma gratuita, agregando as mais variadas vertentes culturais.

Fazem parte do espaço companhia e grupos teatrais, como Bando TraposCia Diversidança, Clã do Jabuti e Via Vento, saraus, grupos de culturas populares, a exemplo do Maracatu Ouro de Congo, Baque Mulher e Candongueiros do Campo Limpo, permacultura, com os coletivos Megê Design Sustentável e NUPECI (Núcleo de Permacultura do CITA) e de formação, com o coletivo C9 Iluminação.

Além disso, 200 costureiras de periferias da Zona Sul de São Paulo que confeccionam máscaras de tecido que são distribuídas a agentes públicos, como bombeiros, policiais ou profissionais da saúde.

A iniciativa, que gera renda às trabalhadoras e contribui com a prevenção ao coronavírus, é bancada pelo programa “Costurando pela Vida” da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura paulistana e conta com a articulação do Espaço Cultural CITA.  Contraditoriamente, esse mesmo espaço está sob ameaça de desocupação por outro órgão municipal: a Subprefeitura do Campo Limpo.

Entenda

Após elucidado a falsa denúncia, a Chefe da Fiscalização realizou uma segunda visita no dia seguinte, pedindo para que integrantes do espaço comprovassem, por meio de documentação, autorização para que estivessem no espaço. Durante a visita, alegaram ainda que o espaço está operando em situação de risco.

“Deixamos aqui evidente que o Espaço Cultural CITA não solicitou ou recebeu oficialmente a visita de um Engenheiro Civil ou Bombeiro Militar enviado pela Subprefeitura do Campo Limpo, e também não teve acesso ao Laudo do Engenheiro ou AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) citado pela Chefe da Fiscalização”, diz ainda a nota do espaço.

Nesse momento, o Espaço Cultural CITA e os coletivos residentes, estão se articulando junto a Deputadxs, Vereadorxs e dialogando com o Secretário Municipal de Cultura, Hugo Possolo, para reverter as ameaças à cultura na periferia da Zona Sul de São Paulo, remetidas diretamente ao CITA.

“Comunicamos que a Secretaria Municipal de Cultura já se prontificou em entrar em contato com a Secretaria da Saúde para nos reunirmos com o Secretário Municipal de Saúde e entendermos a situação”, apontam.

Com informações da Periferia em Movimento

Temas:

Local da notícia: