Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), compilados pelo Boletim “Curva das Periferias”, dos portais Alma Preta e Nós, Mulheres da Periferia, mostram que cinco distritos das periferias de São Paulo com mais moradores negros concentram maior número de casos da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Os cinco distritos com mais infectados pelo vírus são Grajaú (1.038), na zona sul, Sapopemba (999), na região leste, Capão Redondo (977), Jardim Ângela (970) e Cidade Ademar (923), também no lado sul da capital paulista. Todos têm mais de 40% de suas populações formadas por pessoas declaradas pretas ou pardas.

Por outro lado, os cinco distritos com menos infectados são  Marsilac (11), na zona sul, Pari (86), no centro, Barra Funda (87) e Jaguara (97), ambos na zona oeste, e Socorro (123), na região sul. Dos cinco bairros, com exceção de Marsilac, quatro têm menos de 40% da população composta por pessoas declaradas pretas ou pardas.

Os dados compilados pelo boletim “Curva das Periferias” se referem ao período de 1 de março a 31 de julho de 2020. Do início até o alto pico da pandemia.

 

De onde vêm esses dados? Entenda a metodologia

Todos os dados contidos no boletim foram retirados da plataforma TabNet da Prefeitura Municipal da Cidade de São Paulo. Lá, é possível encontrar a série histórica de diversas doenças de notificação compulsória do município de São Paulo, ou seja, doenças cujo registro são obrigatórios para controle e intervenção.

É preciso dizer que um fator que fragiliza esses dados, principalmente quando tratamos de mortalidade, é o tempo de atualização do número de morte ou de casos ocorridos.

Isso ocorre porque a confirmação da doença pode demorar entre uma e duas semanas e ainda há o tempo de importar os dados para o sistema. Portanto,  o “Curva das Periferias” trará os números de até quinze dias de distância da data de publicação do boletim.

Os dados contidos no TABNET sobre mortalidade por COVID-19 têm como fonte o Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM/PRO-AIM – CEInfo –SMS-SP. Criado em 1989, o objetivo deste sistema de informação é “facilitar e descentralizar o acesso às informações sobre mortalidade no Município de São Paulo”. Tal sistema utiliza o aplicativo SIM do Ministério da Saúde para tornar a base de dados apropriada à incorporação na base federal.

Os dados sobre mortalidade por COVID-19 são divididos em quatro categorias: suspeitos e residentes; suspeitos e ocorridos; confirmados e residentes; e confirmados e ocorridos.

No boletim, consideraremos os dados de mortes “confirmadas” e “suspeitas” por COVID-19, ou seja, aqueles casos em que no atestado médico da declaração de óbito houver uma sequência de eventos que se inicia com COVID-19 ou constar apenas que o óbito ocorreu por COVID-19.

Quanto ao marcador racial, este dado é coletado quando, ao falecer, a identificação racial do sujeito é feita por heteroidentificação. Tanto a família e/ou profissional da saúde podem sinalizar a raça do indivíduo.

Por fim, a escolha metodológica de analisar a propagação do vírus por distrito administrativo do município de São Paulo foi feita com o objetivo de compreender quais as implicações políticas, sociais e econômicas que distanciam os bairros com as maiores e menores taxas de pessoas que adquiriram a doença e pessoas faleceram.

A cidade de São Paulo possui 96 distritos administrativos o que inviabilizaria um boletim com todos distritos, por essa razão os boletins irão comparar os cincos distritos mais e menos afetados pela COVID-19.

 

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